Jesus é mesmo Miguel?

A Bíblia diz que ‘Miguel e seus anjos batalharam com o dragão e seus anjos’. (Revelação 12:7) De modo que Miguel é o Líder de um exército de anjos fiéis. Revelação também se refere a Jesus como Líder de um exército de anjos fiéis. (Revelação 19:14-16) E o apóstolo Paulo menciona especificamente o “Senhor Jesus” e “seus anjos poderosos”. (2 Tessalonicenses 1:7) Portanto, a Bíblia fala tanto de Miguel e “seus anjos” como de Jesus e “seus anjos”. (Mateus 13:41;16:27; 24:31; 1 Pedro 3:22) Visto que a Palavra de Deus em nenhuma parte indica que existem dois exércitos de anjos fiéis no céu — um comandado por Miguel e outro por Jesus —, é lógico concluir que Miguel não é outro senão o próprio Jesus Cristo no seu papel celestial – O que a Bíblia Realmente ensina?

O que lemos acima é realmente encontrado nas escrituras? Podemos dizer que o que lemos aqui, é realmente o que a Bíblia ensina, ou apenas mais uma distorção da mesma? No post de hoje vamos observar ao menos três características distintas de Miguel e Jesus que demonstram claramente que JESUS não é nem pode ser MIGUEL.

1. O que dizer do nome de Jesus e Miguel?

O nome Miguel significa “Quem é Como Deus?”. Encerra uma pergunta, sem afirmar que Miguel seja Deus. Já o nome Jesus significa “Jeová é Salvador”. É uma afirmação que enfatiza a diferença de Miguel.
Em Is 43.11 se lê: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador“.Essa declaração é aplicada a Jeová nas Escrituras Hebraicas, mas nas Escrituras Gregas, vamos encontrar que a salvação é obra exclusiva de Jesus: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos“(At 4.12). O nome de Cristo fala a respeito de sua natureza como Salvador, em identidade ao único Salvador, Jeová. Portanto, a julgar apenas pelos nomes que são atribuídos a Jesus e Miguel, deve-se concluir que existe certa diferença entre eles, de modo que, Jesus se identifica com Jeová, ao passo que Miguel apenas testifica sua posição de disposição diante de Deus.

2. O que dizer da natureza de Jesus e Miguel?

Miguel é anjo, na hierarquia angelical de arcanjo. Embora possa ser tido como chefe dos anjos, não deixa de ser criatura. Falando dos anjos diz Hb 1.14: “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” A função dos anjos é servir àqueles que vão ser salvos. Como tal os anjos defendem os cristãos das artimanhas do diabo e de inimigos terrenos (Sl 34.7; 91.11). É digno de nota, ainda, que os anjos estão sujeitos a Cristo: “O qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se sujeitado os anjos, e as autoridades e potências” (I Pe 3.22).

Jesus, diferentemente de Miguel, é o Criador do próprio Miguel. Em Cl 1.16, lemos: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele“. Cristo é o Criador de todas as coisas, e dentre elas, as coisas invisíveis que compreendem toda a hoste celestial na categoria de anjo, arcanjo, querubim, serafim. Conseqüentemente, Jesus é o Criador de Miguel, não podendo ser confundidas as pessoas do Criador (Jesus) e da criatura (Miguel).

Ainda na natureza de ambos, Miguel e Jesus, se nota que Miguel é arcanjo enquanto Jesus é Deus, pois é assim em Jo 1.1-3. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Jesus em Jo 3.16 é chamado “Filho Unigênito”. A expressão “unigênito”, (monogenes), em grego, vem de dois vocábulos: (monos) significa “único” e (genes) que significa “raça”, “tipo”, de onde vem o “gen” da genética, responsável pela transmissão dos caracteres para os filhos. Ser “Filho Unigênito” é ser o único da espécie do Pai; é ter a mesma natureza. Esse Pai é Deus; logo o Filho também o é.

3. O que dizer da posição de Jesus e Miguel?

Miguel não pode ser adorado. Dentro de toda a hierarquia angelical é terminantemente proibido prestar culto aos anjos, qualquer tipo de culto, como se lê em Cl 2.18, “Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão“. Os próprios anjos são conhecedores que não se lhes deve prestar adoração e por isso recusam-na abertamente. Isso se pode ler em duas partes da Bíblia: Em Ap 19.10 e Ap 22.8,9 “E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos que têm o testemunho de Jesus: adora a Deus“.”E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que, mas mostrava para o adorar. E disse-me: 0lha não faças tal… Adora a Deus“.

Já, com respeito à pessoa de Jesus, não há qualquer problema em adorá-lo. Sabemos que os anjos são maiores do que nós (Hb 2.6,7), entretanto prestaram adoração a Cristo sem qualquer constrangimento. É interessante notar que é o próprio Deus que ordena essa adoração, como se lê em Hb 1.6 “E quando outra vez introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem“. Se Jesus fosse um anjo, na hierarquia de um arcanjo como Miguel, então seriam os anjos tidos como idólatras, pois não é correto que um chefe de anjo seja adorado por outros anjos.

Mas, na continuação da leitura de Hebreus, capítulo primeiro, versículos 4,5 e 6, pode-se ler sobre a superioridade de Jesus em relação aos anjos; o verso 8 mostra essa razão, quando o Pai declara de seu filho: “Mas do Filho diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do reino” No céu, ao nome de Jesus, se prostram todos os seres criados: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus…“(Fp 2.10). A Adoração ao único Deus é vista da seguinte forma em Apocalipse 5.13: “E ouvi, a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e eu está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre“.

Ou seja, é claro que pelas escrituras, Jesus não somente tenha sido adorado, como o próprio Deus estimula que os anjos adorem a Cristo. Portanto, seria equivocado associar Jesus a Miguel. Vale a pena ser dito que nenhum cristão primitivo aceitaria chamar a Cristo de Miguel, e devemos dizer que não se encontra em nenhum dos seus escritos tais idéias. Ousamos ainda dizer que tal idéia nem se encontra nas escrituras.

Conclusão: Afinal, é Jesus Miguel?

Diante das três diferenças que mencionamos acima, a resposta é um ENFÁTICO NÃO! Jesus não é nem pode ser Miguel. Para encerrar esse post demonstramos ainda mais algumas razões:

  • Jesus é criador (João 1,3); Miguel é criatura (Colossenses 1,16);
  • Jesus é adorado por Miguel (Hebreus 1,6); Miguel não pode ser adorado (Apocalipse ou Revelação 22,8-9);
  • Jesus é o Senhor dos senhores (Apocalipse 17,14); Miguel é príncipe (Daniel 10,13);
  • Jesus é Rei dos reis (Apocalipse ou Revelação 17,14); Miguel é príncipe dos Judeus (Daniel 12,1);
  • Nenhum anjo alguma vez foi chamado por Deus como seu Filho (Hebreus 1,5-6) e Deus jamais disse “Assenta-te à minha direita” a os anjos (Hebreus 1:13);
  • O mundo futuro não sera submetido a nenhum anjo «Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos»(Hebreus 2,5) em contraposição será sumetido a Jesus «a quem constituiu heredeiro de tudo, por quem fez também o mundo.»(Hebreus 1,2);
  • Os anjos jamais recebem adoração (Colossenses 2, 18; Apocalipse ou Revelação 19,10; 22,9); Jesus recebe adoração de
    • anjos: Hebreus 1,6 (em isto a TNM estava de acordo desde 1950 até 1970);
    • dos discípulos: Lucas 24,52;
    • dos crentes: João 9,38;
    • dos santos na glória: Apocalipse ou Revelação 7,9-10;
    • eventualmente de todos: Filipenses 2,10-11; Mateus 9,18; 15,25;
  • DEUS não partilha a sua glória com ninguém (Isaías 42,8). Jesus, não um anjo, partilha da glória de DEUS desde antes que o mundo existisse (João 17,5);
  • Os anjos são servos desde a sua criação (Hebreus 1,14); Jesus assumiu a condição de servo em sua encarnação (Filipenses 2,7);
  • Somente ao nome de DEUS todo o joelho se dobrará: «”Por minha vida” – diz Jeová – “todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua reconhecerá abertamente a Deus”» (Romanos 14,11 TNM); ao nome de Jesus todos dobrarão o seu joelho: «ao nome de Jesus, se dobre todo joelho dos no céu, e dos na terra, e dos debaixo do chão, e toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo é Senhor» (Filipenses 2,10-11 TNM);
  • Os anjos somente podem estar em um único lugar pois a Bíblia jamais afirma que são omnipresentes; Jesus, pelo contrário, é «Aquele que em tudo preenche todas as coisas» (Efésios 1,23 TNM); «Aquele que ascendeu muito acima de todos os céus, para que desse plenitude a todas as coisas» (Efésios 4,10 TNM); e quem «Sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder» (Hebreus 1,3 TNM)»;
  • Na carta de Judas refere-se a Jesus como Jesus Cristo (Judas 1;4;17;21;25) e a Miguel como arcanjo (Judas 9) sem relacioná-los em nenhum momento.
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