A Bíblia ensina sobre a divindade de Cristo?

Além das próprias afirmações de Jesus a respeito de si mesmo, Seus discípulos também reconheceram a divindade de Cristo. Eles afirmaram que Jesus tinha o direito de perdoar pecados – algo que somente Deus pode fazer, uma vez que é Deus quem se ofende com os pecados (Atos 5:31; Colossenses 3:13; compare com Salmos 130:4; Jeremias 31:34). Em íntima relação com esta última afirmação, se diz que Jesus é aquele que vai “julgar” os vivos e os mortos (II Timóteo 4:1). Tomé clamou a Jesus: “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28). Paulo chama Jesus de “grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13), e mostra que antes de vir em carne Jesus existia na “forma de Deus” (Filipenses 2:5-8). O escritor aos Hebreus diz, a respeito de Jesus: “Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos” (Hebreus 1:8). João afirma que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo [Jesus] era Deus.” (João 1:1). Nas escrituras, os exemplos que ensinam sobre a divindade de Cristo poderiam se multiplicar (veja Apocalipse 1:17; 2:8; 22:13; I Coríntios 10:4; I Pedro 2:6–8; compare com Salmos 18:2; 95:1; I Pedro 5:4; Hebreus 13:20), mas apenas um desses exemplos é suficiente para mostrar que Cristo teve sua natureza divina reconhecida por Seus seguidores. Continuar lendo

Jesus foi acusado de se fazer igual a Deus?

“Os judeus responderam-lhe: “Nós te apedrejamos, não por uma obra excelente, mas por blasfêmia, sim, porque tu, embora sejas um homem, te fazes um deus”. (Tradução do Novo Mundo)

Este é um dos versículos talvez menos citados numa conversa com uma Testemunha de Jeová, visto que o principal seja Jo.1.1, em que o Verbo é declarado Deus. Mas este versículo revela algo que deveria ser óbvio: os judeus procuraram matar Jesus porque este havia se feito Deus (ou igual a Deus).

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Jesus alguma vez disse claramente ser Deus?

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. – Deve-se crer na Trindade, pp.20.

Como vimos nessa citação, a STV afirma que Jesus nunca afirmou ser Deus, e se considerarmos suas obras e ensinos, devemos dizer que tal publicação está redondamente equivocada. Contudo, encontramos em algum lugar nas escrituras uma ocasião na qual Jesus afirma ser Deus? A resposta a essa pergunta é: Certamente!

Algumas afirmações são simples, mas claras. Por exemplo, Jesus afirmou ser o bom pastor (Jo.10.11), ofício que sempre foi de Jeová (Sl.23.1); Ele também afirmou ser o juiz de todos os povos (Mt.25.31s; Jo.5.27), mas esse cargo também é exclusivo de Jeová (Jl.3.12); Jesus também assumiu o título de noivo (Mt.25.1), título que pertence a Jeová (Is.62.5; Os.2.16). Jesus se auto-denominou luz do mundo (Jo.8.12), ao passo que Jeová é assim apresentado (Sl.27.1). Mas, diante dessas declarações alguém poderia objetar por dizer que isso não é evidência de que Jesus tenha dito ser Ele mesmo Deus. Contudo, convidamos os leitores a prosseguir.

Nas escrituras, Jeová sempre foi reconhecido com o Primeiro e o Último:

Quem tem estado ativo e tem feito [isso], convocando as gerações desde o começo? “Eu, Jeová, o Primeiro; e sou o mesmo com os últimos – Isaías 41.4

Assim disse Jeová, o Rei de Israel e seu Resgatador, Jeová dos exércitos: ‘Sou o primeiro e sou o último, e além de mim não há Deus – Isaías 44.6

Escuta-me, ó Jacó, e tu, Israel, meu chamado. Eu sou o Mesmo. Sou o primeiro. Além disso, sou o último – Isaías 48.12

Temos por certo que dizer que Jeová é o Primeiro e o Último, significa assumir que não existe ninguém antes Dele, nem depois Dele. Essa nomenclatura exclusiva de Jeová é assumida por Cristo no livro das Revelações:

E ao anjo da congregação em Esmirna escreve: Estas coisas diz aquele, ‘o Primeiro e o Último’, que ficou morto e passou a viver [novamente] – Revelações 2.8

‘Eis que venho depressa, e a recompensa que dou está comigo, para dar a cada um conforme a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim – Revelações 22.12-13

Ao assumir esse título característico de Jeová, temos por certo que Jesus está dizendo ser Ele mesmo Deus. Nos dois textos de Revelações, vemos claramente que é Jesus o autor dessas frases, pois é o mesmo que morreu e voltou a viver, Aquele que vem sem demora. Não existe qualquer chance de esses textos falarem a respeito de Jeová, afinal, Ele mesmo jamais morreu e não prometeu voltar. É interessante que em Revelações, é recorrente a idéia de que Cristo voltará, aliás, o livro inicia e termina com essa expectativa (Rev.1.7; 22.20).

Bom, talvez até aqui alguém diga: “Tudo bem. Jesus disse ter títulos de Jeová, mas nunca afirmou categoricamente ser Deus“. Na verdade, temos que considerar ainda dois textos interessantes:

E quanto às quatro criaturas viventes, cada uma delas, respectivamente, tem seis asas; ao redor e por baixo estão cheias de olhos. E elas não têm descanso, dia e noite, ao dizerem: “Santo, santo, santo é Jeová Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que vem. – Revelações 4.8

Ao olhar para esse texto vemos a tríplice adoração como em Isaías (Santo, santo, santo). Também vemos o nome de Jeová Deus, a quem as criaturas viventes dirigem sua adoração. Na seqüência vemos a designação clara da superioridade de Jeová, como Todo-Poderoso, título que ninguém jamais recebeu. Também vemos a descrição da eternidade de Jeová, que era, que é e que vem. Em Revelações aquele que vem, sempre é Jesus Cristo, afinal Jeová nunca prometeu voltar. No livro de Revelações apenas Jesus poderia receber essa descrição, mas aqui Jeová a recebe.

Das duas uma: Ou Jeová é equiparado a Cristo ou Cristo equiparado a Jeová. Seja como for, esse texto CLARAMENTE atribui as mais importantes descrições divinas de Jeová (Digno de adoração, cujo nome é Jeová, Todo-Poderoso) a Cristo. Diante disso vemos claramente o fato de que Jesus não apenas aceita tal posição como as criaturas viventes na eternidade o reconhecem com facilidade.

Entretanto, alguém poderá dizer: “Ei, mas essa expressão não foi dita por Jesus!“. Isso é verdade. É que infelizmente os que procuram esconder tudo o que já vimos até aqui, precisam ver uma ocasião em que Jesus afirmou ser Deus. Bom, para esses devo lembrá-los de apenas mais um texto:

“Se tu és filho de Deus, lança-te para baixo; pois está escrito: ‘Dará aos seus anjos encargo concernente a ti, e eles te carregarão nas mãos, para que nunca batas com o pé contra uma pedra.’” Jesus disse-lhe: “Novamente está escrito: ‘Não deves pôr Jeová, teu Deus, à prova.’ – Mateus 4.6-7

Ao tentar Jesus Cristo, Satanás ofereceu a possibilidade de Jesus Cristo se jogar de cima do pináculo do templo com a promessa de que Seus anjos o iriam segurar. Em resposta ao pedido de Satanás, Jesus disse: “Não deves por Jeová, teu Deus à prova“. Nessa simples frase, Jesus disse: Pare de me tentar, eu sou Jeová teu Deus. Simples e claro. Nesse texto não há problemas textuais, problemas de tradução: Tudo está claro e direto: JESUS AFIRMOU SER DEUS.

Diante disso, jamais poderíamos dizer, como disse o autor no início desse post, que Jesus jamais afirmou ser Deus, nem que a Bïblia não o diz, afinal vimos que Jesus afirmou ser Deus em suas obras, ensinos, títulos e claramente na cena da tentação. Por isso, devemos assumir que diante do TODO das escrituras: Jesus, além de ser chamado claramente de Deus, também confirma isso.


O que o ensino de Jesus testemunha a seu respeito? (3/3)

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. – Deve-se crer na Trindade, pp.20.

Em muitas ocasiões Jesus ensinou seus discípulos, seguidores e até mesmo numerosas multidões e não era incomum que as pessoas admirassem seu ensino. Algumas vezes no seu ministério vemos o elogio das pessoas ao que Cristo ensina dizendo que seu ensino não é como dos escribas ou fariseus, pois seu ensino tem autoridade.

Temos consciência de que o ensino de Jesus Cristo é fundamental para o cristão e que suas palavras tem autoridade sobre nós. Mas, encontramos nos ensinos de Cristo algo que demonstre sua divindade? Tenha em mente que Jesus aceitava dos homens aquilo que apenas Jeová pode aceitar.

Outra característica interessante de Cristo é que além de suas obras e seus ensinos atestarem sua divindade, Ele também aceita duas ações dos homens que devem ser apenas oferecidas a Jeová: oração e adoração. Diferente do que muitas pessoas pensam Jesus não apenas ensinou os discípulos a orarem, Ele os incentivou a orarem em seu nome:

Também, o que for que pedirdes em meu nome, eu farei isso, a fim de que o Pai seja glorificado em conexão com o Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei – João 14.13-14

Vós não me escolhestes, mas eu escolhi a vós, e eu vos designei para prosseguirdes e persistirdes em dar fruto, e que o vosso fruto permaneça; a fim de que, não importa o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dê – João 15.16

E naquele dia não me fareis absolutamente nenhuma pergunta. Eu vos digo em toda a verdade: Se pedirdes ao Pai qualquer coisa, ele vo-la dará em meu nome. Até o momento não pedistes nem uma única coisa em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja plena – João 16.23-24

É bem verdade que no ensino de Cristo, fica evidente que a oração deve ser feita ao Pai, mas é na sua autoridade que tal oração é feita. Entretanto, seus seguidores não apenas oravam em nome de Cristo (1Co.5.4) como também oravam a Cristo:

E atiravam pedras em Estêvão, enquanto ele fazia apelo e dizia: “Senhor Jesus, recebe meu espírito – Atos 7.59

Mas, mais importante do que ser digno de receber as orações de seus seguidores, Jesus Cristo também recebeu adoração. As escrituras hebraicas deixam claro que apenas Jeová pode ser adorado (Ex.20.1-4, Dt.5.6-7). As escrituras gregas cristãs do mesmo modo apóiam a exclusividade de Jeová na adoração com clareza (At.17.29; 19.26; Rm.1.23). As escrituras também são claras em atestar que nenhum ser humano é digno de receber adoração (At.14.15) e que até mesmo os seres angélicos não tem tal dignidade (Rev.22.8,9). Infelizmente, a Tradução do Novo Mundo esconde o fato de que Jesus recebeu adoração dos seus leitores, por dizer que eles o homenageavam:

E eis que veio um leproso e começou a prestar-lhe homenagem, dizendo: “Senhor, se apenas quiseres, podes tornar-me limpo” – Mateus 8.2

Em primeiro lugar, o próprio texto não parece um ambiente de prestação de homenagem, afinal o homem que se achega a Cristo aqui está aflito e perdido. Ele precisa de ajuda, ele está desesperado. Até mesmo sua afirmação a Cristo parece sugerir mais do que uma homenagem: Ele o chama de Senhor e reconhece seu poder e autoridade para realizar o que ele lhe pede. Em nenhum momento esse leproso desconfiou de quem Jesus era e do que Ele era capaz de fazer, mas submisso à sua autoridade, pede que se for da vontade Dele, que Cristo o faça limpo.

Em segundo lugar, o termo empregado por Mateus aqui foi mal compreendida pela Tradução do Novo Mundo (TNM). O termo usado aqui é “proskunéo“, o mesmo termo que a TNM traduz em outros lugares, especialmente em referência a Jeová como adoração:

“Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração” Jesus disse-lhe então: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado” – Mateus 4.9-10

Nesses versos o mesmo termo é usado duas vezes, e vemos que o sentido aqui é claramente adorar, e sempre que o termo é usado em referência a Jeová, esse é o sentido usado pela TNM (Mt 4:10; Jo 4:20-23s; 12:20; At 24:11; 1Cor 14:25; Hb 11:21; Rv 4:10; 14:7; 19:4). O mesmo acontece quando é usado em referência a agentes de Satanás (Lc 4:7 ; Rv 9:20; 13:4; 14:9, 11) e a seres angélicos (Rv.22.8). Até mesmo quando Pedro foi surpreendido pela postura de Cornélio, o termo usado também foi “proskunéo” (At.10.25). Ou seja, a TNM aceita que o termo tenha de fato o sentido de adoração, mas apenas nas ocasiões relacionadas a Cristo é que ela faz diferença (Mt 2:2, 8, 11; 8:2; 9:18; 14:33; 20:20; 15:25; 28:9, 17; Mc 5:6; 15:19; Lc 24:52). Com isso, estamos dizendo que as escrituras sagradas afirmam com clareza que Jesus recebeu adoração, e que isso certamente implica em dizer que Jesus é divino.

Entretanto, a mais clara das afirmações sobre quem Cristo é foi realizada em um ato de adoração, quando Tomé o reconheceu após a ressurreição: “Em resposta, Tomé disse-lhe: “Meu Senhor e meu Deus!” (João 20.28). É interessante que, diferente dos seres angélicos e seres humanos, Jesus nunca repreendeu as pessoas que se prostravam diante dele em adoração, do mesmo modo que nunca repreendeu a Tomé por chamá-lo de Senhor e Deus.

Com isso, estamos dizendo que com sua postura nesses casos, Jesus claramente falou ser Ele verdadeiramente divino.


 

O que o ensino de Jesus testemunha a seu respeito? (2/3)

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. – Deve-se crer na Trindade, pp.20.

Em muitas ocasiões Jesus ensinou seus discípulos, seguidores e até mesmo numerosas multidões e não era incomum que as pessoas admirassem seu ensino. Algumas vezes no seu ministério vemos o elogio das pessoas ao que Cristo ensina dizendo que seu ensino não é como dos escribas ou fariseus, pois seu ensino tem autoridade.

Temos consciência de que o ensino de Jesus Cristo é fundamental para o cristão e que suas palavras tem autoridade sobre nós. Mas, encontramos nos ensinos de Cristo algo que demonstre sua divindade? Tenha em mente que Jesus quando ensinava, afirmava claramente ser o Cristo prometido em toda a Escritura.

Os judeus do período de Cristo, e muitos ainda hoje, esperam o Messias (Cristo) prometido nas Escrituras Hebraicas. Nela, os judeus sempre encontraram informações sobre quem o Messias seria e quais suas caracteristicas, mas infelizmente eles não haviam percebido a profundidade de algumas das afirmações a respeito do Messias esperado. Por exemplo, em Isaías 9.6 o Messias é chamado de Deus forte e em Salmos encontramos a declaração de que o trono messiânico seria para sempre, e nesse verso ele é chamado de Deus (Sl.45.6).

É verdade que em nenhuma dessas ocasiões se diz que o Messias seria chamado pelo nome de Jeová, mas seria chamado de Elohim, que nas escrituras hebraicas era um termo comum a ser empregado a seres humanos, como reis, e até mesmo a seres angélicos. Contudo, o próprio Jeová afirma ser Elohim algumas vezes, especialmente em Deuteronômio 6.4: “Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus [Elohim], é um só Jeová“.

Entretanto, isso não  é tudo o que se poderia aprender com as Escrituras Hebraicas a respeito do Messias. Existe um texto muito interessante que afirma que o Messias seria o próprio Jeová:

“Eis que vêm dias”, é a pronunciação de Jeová, “e eu vou suscitar a Davi um renovo justo. E um rei há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo e o próprio Israel residirá em segurança. E este é o nome pelo qual será chamado: Jeová É Nossa Justiça” – Jeremias 23.5-6

Nesse texto, o Messias é primeiramente chamado de renovo justo, como é comum nas escrituras hebraicas (Sl. 132.11; Is.4.2; 11.1; Zc.6.12; ). Nesse texto também vemos que o Messias viria para executar o juízo e a justiça, bem como proteger a Israel. Entretanto, o seu nome será Jeová é nossa Justiça.

Dois detalhes aqui são importantes: (1) o uso do termo “nome” (hb. shem) e (2) o uso do Tetragrama (YHWH). O uso do termo “nome” é importante, pois ele não fala apenas da nomenclatura de um pessoa, mas o termo hebraico é freqüentemente associado ao caráter de uma pessoa, observe:

Por favor, não fixe meu senhor seu coração neste homem imprestável, Nabal, pois ele é tal qual seu nome. Nabal é o seu nome e a insensatez está com ele. Quanto a mim, tua escrava, não vi os moços do meu senhor, que enviaste. – 1 Samuel 25.25

Essa relação entre nome e caráter nas escrituras hebraicas é fato claramente observável. Considere o caso de Jacó que teve seu nome alterado para Israel por Jeová (Gn.35.10). O significado de Jacó é “enganador” ao passo que Israel “Deus prevalece” como expressão da fidelidade e manutenção graciosa do Seu Soberano Plano apresentado a Abraão. Fato similar acontece com Noemi, que por grande sofrimento pela perda do marido e dos seus filhos (Rt.1.12), descreve sua situação com o termo “amarga” (hb. Mara; Rt.1.13; cf. Ex.15.23), nome que adota para descrever sua situação: “Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso” (Rt.1.20).

Entretanto, é fundamental demonstrar que esse termo (hb. shem) é usado nas escrituras hebraicas para descrever a exclusividade de Jeová, e eventualmente é usado em substituição do Tetragrama:

Deves fazer para mim um altar de terra, e sobre ele tens de sacrificar as tuas ofertas queimadas e os teus sacrifícios de participação em comum, teu rebanho e tua manada. Em todo lugar onde farei que meu nome seja lembrado virei a ti e certamente te abençoarei. – Êxodo 20.24

Por isso vou entoar melodias ao teu nome para todo o sempre, A fim de pagar meus votos dia após dia – Salmos 61.8

Em ambos os versos, a idéia é que Jeová Deus deveria ser lembrado ou adorado, e as escrituras hebraicas apresentam esse tipo de situação várias vezes. Contudo, ainda mais interessante do que isso é que o texto de Jeremias fala que o nome, isso é, o caráter e a essência do Messias, será Jeová. Contudo, Jeová mesmo garante que o Tetragrama é o seu nome e ele não o dá a ninguém:

Jeová é pessoa varonil de guerra. Jeová é o seu nome – Êxodo 15.3

Deus disse então mais uma vez a Moisés: “Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘Jeová, o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó enviou-me a vós.’ Este é o meu nome por tempo indefinido e esta é a recordação de mim por geração após geração – Êxodo 3.15

Eu sou Jeová. Este é meu nome; e a minha própria glória não darei a outrem, nem o meu louvor a imagens entalhadas – Isaías 42.8

Ou seja, ao dizer que o Messias terá o nome de Jeová nossa Justiça, Jeová está dizendo que o Messias será como Jeová. Mais importante ainda, o Messias terá o mesmíssimo nome de Jeová, o nome que não divide com ninguém. É importante dizer que no texto de Jeremias encontramos o Tetragrama para descrever a pessoa do Messias. Assim, podemos dizer que as escrituras hebraicas claramente atestam que o Messias será divino.

Tendo assegurado isso, devemos lembrar que Jesus chamou para si a idéia de ser o Cristo,prometido pelas escrituras. João, o batizador, quando já encarcerado teve dúvidas quanto a verdade e pediu que seus discípulos fossem conferir se de fato Jesus era o Messias:

João, na cadeia, porém, tendo ouvido [falar] das obras do Cristo, enviou os seus próprios discípulos e mandou dizer-lhe: “És tu Aquele Que Vem, ou devemos esperar alguém diferente?” Jesus disse-lhes, em resposta: “Ide e relatai a João o que ouvis e vedes: 5 Os cegos estão vendo novamente e os coxos estão andando, os leprosos estão sendo purificados e os surdos estão ouvindo, e os mortos estão sendo levantados, e aos pobres estão sendo declaradas as boas novas; 6 e feliz é aquele que não achar em mim nenhuma causa para tropeço – Mateus 11.2-6

A resposta de Jesus foi clara: Ele citou Isaías 35.5 e 61.1 que falam sobre o Messias. Jesus não teve qualquer dificuldade em assumir que era de fato o Messias prometido. Quando Pedro declarou que Ele era o Cristo, Jesus demonstrou que tal verdade fora revelada pelo Pai que está nos céus (Mateus 16.16-17). Mas, uma importante evidência de sua clara consciência messiânica foi vista já perto do fim de sua vida:

O sumo sacerdote começou novamente a interrogá-lo e disse-lhe: “És tu o Cristo, o Filho do Bendito?” Jesus disse então: “Sou; e vós vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo com as nuvens do céu – Marcos 14.61-62

Nessa ocasião fica evidente que Jesus claramente assume o título de Cristo, e devemos dizer que diante do testemunho das escrituras hebraicas, Jesus Cristo é de fato divino, pois foi assim que as escrituras hebraicas se referiram a Ele.

Ou seja, ao assumir ser o Cristo Prometido, Jesus claramente confirmou sua identidade divina.

 

O que o ensino de Jesus testemunha a seu respeito? (1/3)

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. – Deve-se crer na Trindade, pp.20.

Em muitas ocasiões Jesus ensinou seus discípulos, seguidores e até mesmo numerosas multidões e não era incomum que as pessoas admirassem seu ensino. Algumas vezes no seu ministério vemos o elogio das pessoas ao que Cristo ensina dizendo que seu ensino não é como dos escribas ou fariseus, pois seu ensino tem autoridade.

Temos consciência de que o ensino de Jesus Cristo é fundamental para o cristão e que suas palavras tem autoridade sobre nós. Mas, encontramos nos ensinos de Cristo algo que demonstre sua divindade? Tenha em mente que Jesus quando ensinava, equiparava suas palavras com as palavras de Jeová.

Em uma dessas ocasiões em que o ensino de Cristo é elogiado com um ensino com autoridade, Jesus equipara suas palavras com as palavras de Jeová. No conhecido Sermão da Montanha Jesus faz isso algumas vezes:

Ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves assassinar; mas quem cometer um assassínio terá de prestar contas ao tribunal de justiça.’ No entanto, digo-vos que todo aquele que continuar furioso com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça; mas, quem se dirigir a seu irmão com uma palavra imprópria de desprezo terá de prestar contas ao Supremo Tribunal; ao passo que quem disser: ‘Tolo desprezível!’, estará sujeito à Geena ardente

Nessa ocasião, Jesus está citando as escrituras quando diz ouvistes o que se disse aos dos tempos antigos e corrige o modo como eles entenderam as escrituras por afirmar no entanto digo-vos. Infelizmente aqui a TNM deixou de fora um termo importantíssimo: “Eu”. O texto não está simplesmente colocando a opinião de Cristo, mas demonstrando a autoridade de Cristo: Ouvistes o que foi ditoEu vos digo. Nessa expressão, repetida algumas vezes mais no mesmo capítulo, Jesus equipara suas Palavras com as de Jeová.

No passado Jeová havia dado ao povo a Lei e os seus mandamentos, mas Jesus é quem apresenta um novo mandamento: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo.13.34). A idéia de amar ao próximo já era bem conhecida nas Escrituras Hebraicas, mas Cristo apresenta um novo mandamento e complementa as palavras de Jeová, pois na Lei as pessoas deveriam amar seu próximo como a si mesmo, mas os seguidores de Cristo deveriam amá-los como Ele mesmo amado.  Devemos lembrar também que nesse assunto, a Lei dizia para amar o próximo, ao passo que Jesus manda amar até mesmo o inimigo. A qualidade do amor exigido por Cristo a seus seguidores, não apenas se equipara com as Palavras de Jeová, mas as completa.

Jeová sempre atestou que sua palavra é para sempre e que ela jamais seria terminada, observe:

Para sempre, ó Jeová, Tua palavra está posta nos céus.  – Salmos 119.89

Quanto às tuas prescrições, há muito sei que as estabeleceste para sempre. – Salmos 119.152

Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas, quanto à palavra de nosso Deus, ela durará para sempre – Isaías 40.8

Entretanto, Jesus revogou para suas palavras a mesma autoridade:

pois, deveras, eu vos digo que antes passariam o céu e a terra, do que passaria uma só letra menor ou uma só partícula duma letra da Lei sem que tudo se cumprisse – Mateus 5.18

Céu e terra passarão, mas as minhas palavras de modo algum passarão –Mateus 24.35

Ao fazer isso, claramente Jesus equipara suas palavras com a de Jeová, e sabemos por fato que a palavra de mais ninguém tem a mesma autoridade que a palavra de Jeová, apenas Cristo, com que Ele é um (Jo.10.30). Mas, também lemos nas escrituras que apenas Jeová é verdadeiro Juiz:

Deus é justo Juiz, E Deus lança verberações cada dia – Salmos 7.11

Pois Deus é o juiz. A este ele rebaixa e aquele exalta – Salmos 75.7

Entretanto, nos seus ensino Jesus também revogou ter tal autoridade:

Quem me desconsiderar e não receber as minhas declarações, tem quem o julgue. A palavra que eu tenho falado é que o julgará no último dia – João 12.48

Ao realizar todas essas ações, fica evidente que Jesus não apenas se equipara a Jeová, mas como é divino e seus ensinos testemunham exatamente isso.

Em outras palavras, com seu ensino Jesus afirmou ser Deus.


O que as obras de Jesus testemunham a seu respeito? (2/2)

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. – Deve-se crer na Trindade, pp.20.

Muitas das obras realizadas por Jesus Cristo enquanto estava na terra foram repetidas pelos seu seguidos, como por exemplo alguns dos seus milagres. Até mesmo Ele garantiu que seus seguidores fariam ainda coisas maiores do que Ele fez: “Digo-vos em toda a verdade: Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço; e ele fará obras maiores do que estas, porque eu vou embora para o Pai” (João 14.12).

Diante disso, alguém poderia concluir que as obras de Cristo não são tão especiais, afinal seus seguidores poderiam fazer coisas maiores do que Ele mesmo fez. Contudo, tal conclusão está equivocada! No mesmo texto, ou melhor, no verso anterior encontramos a seguinte expressão: “Acreditai-me que estou em união com o Pai e que o Pai está em união comigo; senão,acreditai por causa das próprias obras” (João .14.11). As obras realizadas por Cristo tinham por propósito apresentar a unidade entre o Pai e o Filho e o Filho com o Pai.  Entretanto, não devemos pensar nessa união apenas de propósito, afinal, Jesus claramente testemunho que suas obras testemunham que Deus está nele: “crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai” (João 10.38).

Diante das próprias palavras de Cristo, suas obras servem para testemunhar sua unidade com o Pai. Mas, será que Suas obras podem falar um pouco mais do que isso? Para responder a isso João nos avisa: “De certo, Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo. Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome” (João 20.30-31). Nesses versos João nos ensina que as obras (sinais – milagres) servem para demonstrar que Jesus é o Cristo, ou seja, o Messias prometido nas escrituras Hebraicas, e que Ele também é o Filho de Deus enviado a terra pelo Pai para realizar Sua Vontade.

Entretanto, em algumas situações do seu ministério testemunham ainda mais sobre quem Jesus Cristo realmente é, e diferente do que muitos pensam, suas obras também testemunham sua divindade, afinal Jesus tem poder para perdoar pecados.

Nas escrituras, o pecado sempre é uma ofensa contra Deus, e Davi nos ensina isso claramente:

Pequei contra ti, somente contra ti, E fiz o que é mau aos teus olhos, A fim de que te mostres justo ao falares, Para que sejas puro ao julgares – Salmos 51.4

Observe que nessa situação Davi está confessando a Jeová seus erros, que incluíam o adultério com Bate-Seba e o assassinato de Urias, o marido dela. Entretanto, quando fala dos seus erros, Davi afirma que pecou contra Jeová. Temos por certo que seus equívocos tiveram grande influência sobre as pessoas e conseqüências pessoais terríveis, mas o que nos chama a atenção é o fato que Davi entende que havia pecado contra Jeová somente. Em outro texto, Davi torna isso ainda mais claro: “Davi disse então a Natã: Pequei contra Jeová” (2Samuel 12.13). O pecado sempre é uma ofensa contra Deus, e por isso, apenas Deus tem autoridade para perdoar pecados, e no caso de Davi, foi exatamente o que aconteceu, pois Jeová o perdoou e não o matou.

Com essa história entendemos que é fato que a única pessoa que poderia perdoar pecados seria aquele que é ofendido. Isso é relativamente simples, e proponho uma ilustração para apresentar o conceito:

Suponha que Alex tenha agredido a Fernando na presença de Marcos. O ofendido nessa situação certamente é o Fernando, e portanto, somente o Fernando pode perdoar. Por outro lado, apenas Alex é culpado da agressão, afinal, Marcos nada fez a Fernando. Ou seja, a única pessoa que deveria pedir perdão seria Alex. Contudo, se Alex pedir perdão para Marcos, nada adiantará, afinal ele não foi ofendido. Da mesma forma, Marcos não pode oferecer perdão a Alex por não ser ele o ofendido. Ou seja, o perdão só pode ser oferecido por Fernando para Alex, e Alex só pode solicitar o perdão a Fernando, a quem ele ofendeu.

Nossa situação com Deus é similar, pois nossos pecados são ofensas realizadas contra Deus. Ou seja, apenas Deus pode oferecer perdão para nossos pecados, pois apenas ele foi ofendido com nossa conduta equivocada. Contudo, Jesus abertamente afirma ter a autoridade de Deus para perdoar pecados:

E [certos] homens vieram trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro. Mas, não podendo levá-lo diretamente a [Jesus], por causa da multidão, removeram o telhado por cima do lugar onde ele estava, e, tendo aberto um buraco, abaixaram a maca em que o paralítico estava deitado. E, quando Jesus viu a fé que tinham, disse ao paralítico: “Filho, teus pecados estão perdoados.” – Marcos 2.3-5

É interessante observar nessa história que a expressão de Jesus não parece conectada a história. Note que quatro homens haviam trazido esse paralítico à presença de Cristo na esperança de que Ele o curasse, já era conhecido entre muitas pessoas que Jesus tinha poder para curar. Entretanto, nesse caso Jesus não olha para o paralítico e diz, como era de se esperar: “Levanta-te e anda“; mas Ele diz que seus pecados estão perdoados.

Não é de se espantar que a multidão que ouvira isso tenha ficado incomodada. Aliás, o evangelista claramente apresenta a opinião daqueles que ouviam:

Ora, alguns dos escribas estavam ali sentados e raciocinavam nos seus corações: “Por que fala este homem dessa maneira? Ele está blasfemando. Quem pode perdoar pecados senão um só, Deus?”  – Marcos 2.6-7

Os ouvintes de Cristo estão tão surpresos como muitos ficam ao ler essa história. Mas, devemos nos perguntar se tal afirmação dos escribas é verdadeira, afinal, os escribas estavam errados em muitos aspectos, especialmente ao que se referia à pessoa de Cristo. Em outras palavras, é verdade que apenas Deus pode perdoar pecados? Vamos ver o que as escrituras ensinam:

Pois contigo há o [verdadeiro] perdão, A fim de que sejas temido – Salmo 130.4

Eu é que sou Aquele que perdoa as tuas transgressões por minha própria causa, e não me lembrarei dos teus pecados – Isaías 43.25

A Jeová, nosso Deus, pertencem as misericórdias e os atos de perdão, pois nós nos rebelamos contra ele – Daniel 9.9

Quem é Deus como tu, perdoando o erro e passando por alto a transgressão do restante da sua herança? Certamente não se aferrará à sua ira para todo o sempre, pois se agrada na benevolência. – Miquéias 7.18

“E não mais ensinarão, cada um ao seu companheiro e cada um ao seu irmão, dizendo: ‘Conhecei a Jeová!’ porque todos eles me conhecerão, desde o menor deles até o maior deles”, é a pronunciação de Jeová. “Porque perdoarei seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado” – Jeremias 31.34

É importante dizer que em nenhum lugar nas escrituras encontramos mais alguém que tenha poder ou autoridade para perdoar pecados, pois essa é uma tarefa exclusiva de Deus. Contudo,Jesus fala abertamente que tem esse poder e autoridade, e desafia seus críticos a avaliarem sua proposição:

Mas, Jesus, tendo discernido imediatamente pelo seu espírito que estavam raciocinando deste modo no íntimo, disse-lhes: “Por que estais raciocinando essas coisas em vossos corações? 9 O que é mais fácil, dizer ao paralítico: ‘Teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, apanha a tua maca e anda’? 10 Mas, a fim de que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” — ele disse ao paralítico: 11 “Eu te digo: Levanta-te, apanha a tua maca e vai para a tua casa.” 12 Com isso, este se levantou e apanhou imediatamente a sua maca, e saiu andando na frente de todos, de modo que todos ficaram simplesmente arrebatados e glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos nada igual.” – Marcos 2.8-12

Jesus não tem nenhuma dificuldade em afirmar claramente que possui autoridade e poder exclusivos de Jeová Deus em seu ministério na terra. Com isso, Jesus clara e abertamente testemunhou ao mundo sua identidade com o Pai ao realizar obras que apenas Jeová poderia realizar.

Em outras palavras, Jesus claramente afirmou ser Deus.

O que as obras de Jesus testemunham a seu respeito? (1/2)

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. – Deve-se crer na Trindade, pp.20.

Muitas das obras realizadas por Jesus Cristo enquanto estava na terra foram repetidas pelos seu seguidos, como por exemplo alguns dos seus milagres. Até mesmo Ele garantiu que seus seguidores fariam ainda coisas maiores do que Ele fez: “Digo-vos em toda a verdade: Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço; e ele fará obras maiores do que estas, porque eu vou embora para o Pai” (João 14.12).

Diante disso, alguém poderia concluir que as obras de Cristo não são tão especiais, afinal seus seguidores poderiam fazer coisas maiores do que Ele mesmo fez. Contudo, tal conclusão está equivocada! No mesmo texto, ou melhor, no verso anterior encontramos a seguinte expressão: “Acreditai-me que estou em união com o Pai e que o Pai está em união comigo; senão,acreditai por causa das próprias obras” (João .14.11). As obras realizadas por Cristo tinham por propósito apresentar a unidade entre o Pai e o Filho e o Filho com o Pai.  Entretanto, não devemos pensar nessa união apenas de propósito, afinal, Jesus claramente testemunho que suas obras testemunham que Deus está nele: “crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai” (João 10.38).

Diante das próprias palavras de Cristo, suas obras servem para testemunhar sua unidade com o Pai. Mas, será que Suas obras podem falar um pouco mais do que isso? Para responder a isso João nos avisa: “De certo, Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo. Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome” (João 20.30-31). Nesses versos João nos ensina que as obras (sinais – milagres) servem para demonstrar que Jesus é o Cristo, ou seja, o Messias prometido nas escrituras Hebraicas, e que Ele também é o Filho de Deus enviado a terra pelo Pai para realizar Sua Vontade.

Entretanto, em algumas situações do seu ministério testemunham ainda mais sobre quem Jesus Cristo realmente é, e diferente do que muitos pensam, suas obras também testemunham sua divindade, afinal Jesus tem poder para ressuscitar mortos.

As Escrituras Hebraicas tinham deixado claro que apenas Jeová Deus tinha poder para dar ou devolver a vida, observe:

Vede agora que eu — eu é que o sou, E não há [outros] deuses comigo. Eu entrego à morte e eu vivifico. Feri seriamente, e eu — eu vou curar, E não há quem arrebata da minha mão – Deuteronômio 32.39

Jeová é Quem faz morrer e Quem preserva a vida, Quem faz descer ao Seol, e Ele faz subir – 1 Samuel 2.6

Acaso sou Deus, para entregar à morte e para preservar vivo? – 2 Reis 5.7

As Sagradas Escrituras Gregas, do mesmo modo, atestam que apenas Jeová Deus tem esse poder:

Por que se julga incrível entre vós que Deus levante os mortos? – Atos 26.8

Isto se deu à vista Daquele em quem tinha fé, sim, de Deus, que vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se fossem – Romanos 4.17

Entretanto, é interessante que  Jesus Cristo no seu ministério manifestou tal característica algumas vezes. Vamos lembrar alguns desses casos:

E, ao ter dito estas coisas, clamou com voz alta: “Lázaro, vem para fora!” O[homem] que estivera morto saiu com os pés e as mãos amarrados com faixas, e o seu semblante enrolado num pano. Jesus disse-lhes: “Soltai-o e deixai-o ir.” – João 11.43-44

Ao se aproximar do portão da cidade, ora, eis que um morto estava sendo carregado para fora, o filho unigênito de sua mãe. Além disso, ela era viúva. Acompanhava-a também uma multidão considerável da cidade. E, avistando-a o Senhor, teve pena dela e disse-lhe: “Pára de chorar.” Com isso se aproximou e tocou no esquife, e os portadores ficaram parados, e ele disse: “Jovem, eu te digo: Levanta-te!” E o morto sentou-se e principiou a falar, e ele o entregou à sua mãe – Lucas 7.12-15

Enquanto ainda falava, chegou certo representante do presidente da sinagoga, dizendo: “A tua filha morreu; não incomodes mais o instrutor.” Ouvindo isso, Jesus respondeu-lhe: “Não temas, apenas exerce fé, e ela será salva.” Chegando à casa, não deixou ninguém entrar com ele, exceto Pedro, e João, e Tiago, e o pai e a mãe da menina. E todos choravam e se batiam de pesar por ela. De modo que ele disse: “Parai de chorar, pois ela não está morta, mas dorme.” Começaram então a rir-se dele desdenhosamente, porque sabiam que ela havia morrido. Mas ele a tomou pela mão e chamou, dizendo: “Menina, levanta-te!” E voltou-lhe o espírito e ela se levantou instantaneamente, e ele ordenou que se lhe desse algo para comer – Lucas 8.49-55

Diante dessas histórias devemos admitir que Jesus era de fato especial, mas seria isso uma forma de Jesus dizer quer Ele era Deus? Seria correto dizer que Jesus, por fazer o que apenas Jeová pode fazer o torna igual a Deus? Muitas pessoas acreditam que não, até por que Jesus não foi o único que ressuscitou pessoas. AS Escrituras Hebraicas contam a história de Elias que também trouxe à vida o filho de uma mulher viúva:

“Elias tomou então o menino e o levou do quarto de terraço para baixo à casa, e o entregou à sua mãe; e Elias disse então: “Vê, teu filho está vivo” – 1 Reis 17.23

Contudo, devemos nos perguntar: Elias fez isso por seu poder? A resposta é clara: Certamente não. No mesmo texto Elias faz o seguinte reconhecimento:

“E passou a estender-se três vezes sobre o menino e a clamar a Jeová, e a dizer: “Ó Jeová, meu Deus, por favor, faze a alma deste menino voltar para dentro dele.” Jeová escutou finalmente a voz de Elias, de modo que a alma do menino voltou para dentro dele e este reviveu” – 1 Reis 17.21-22

Na verdade, Elias não trouxe ninguém à vida, mas Jeová Deus o fez. Elias apenas clamou a Jeová para que Ele fizesse o que o profeta não era autorizado e nem tinha poder para realizar. Mas não é isso que vemos com Jesus, afinal, as escrituras dizem que Jesus ressuscitou pessoas. As histórias de Cristo, narradas por seus seguidores e inspirada pelo Espírito Santo, testemunham que Cristo exerceu tal poder. Se encontrássemos apenas essas declarações nas escrituras, já teríamos suficiente evidências para dizer que as obras de Cristo testemunham sua verdadeira divindade. Contudo, o próprio Jesus afirma ter o poder e autoridade exclusivas de Jeová Deus para ressuscitar pessoas:

Porque, assim como o Pai levanta os mortos e os faz viver, assim também o Filho faz viver os que ele quer – João 5.21

Nas palavras de Jesus, Ele mesmo tem o mesmo poder de Jeová Deus, pois do mesmo modo que o Pai ressuscita os mortos, o Filho também o faz a quem quer. Ninguém na história da humanidade poderia dizer isso, pois ninguém pode dar vida a quem quiser. Apenas Jeová Deus tem esse poder, e Jesus clama para si mesmo tal autoridade exclusiva de Jeová Deus. Diante disso, temos por certo que suas obras testemunha sua divindade, e suas palavras claramente a apresentam.

O que estamos dizendo com isso é que com suas obras Jesus afirmou ser Deus

Jesus afirmou ser Deus?

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. Deve-se crer na Trindade, pp.20.


É verdade que o conceito da Bíblia é claro e que não devemos colocar ou tirar qualquer coisa dela. Também é verdade que apenas a palavra de Deus é verdadeira e suficiente de fato para falar a verdade. Por isso, é sempre importante voltarmos às escrituras para conhecer o que ela ensina, afinal, esse é o propósito desse blog: apresentar o que a Bíblia realmente ensina sobre Jesus Cristo.

O que Bíblia Realmente Ensina?

Como vemos no livro Deve-se crer na Trindade, o autor tem plena convicção de que Jesus jamais foi chamado de Deus nas escrituras e que Ele mesmo nunca afirmou ser Deus. Mas, será isso verdadeiro? É verdade que a Bíblia nunca chamou Jesus de Deus? E Jesus, nada falou sobre o assunto?

Nesse breve post vamos investigar essas questões, com o objetivo de apresentar o que a Bíblia realmente ensina sobre Jesus.

 

 

1. O que as obras de Jesus testemunham a seu respeito?

Muitas das obras realizadas por Jesus Cristo enquanto estava na terra foram repetidas pelos seu seguidos, como por exemplo alguns dos seus milagres. Até mesmo Ele garantiu que seus seguidores fariam ainda coisas maiores do que Ele fez: “Digo-vos em toda a verdade: Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço; e ele fará obras maiores do que estas, porque eu vou embora para o Pai” (João 14.12).

Diante disso, alguém poderia concluir que as obras de Cristo não são tão especiais, afinal seus seguidores poderiam fazer coisas maiores do que Ele mesmo fez. Contudo, tal conclusão está equivocada! No mesmo texto, ou melhor, no verso anterior encontramos a seguinte expressão: “Acreditai-me que estou em união com o Pai e que o Pai está em união comigo; senão, acreditai por causa das próprias obras” (João .14.11). As obras realizadas por Cristo tinham por propósito apresentar a unidade entre o Pai e o Filho e o Filho com o Pai.  Entretanto, não devemos pensar nessa união apenas de propósito, afinal, Jesus claramente testemunho que suas obras testemunham que Deus está nele: “crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai” (João 10.38).

Diante das próprias palavras de Cristo, suas obras servem para testemunhar sua unidade com o Pai. Mas, será que Suas obras podem falar um pouco mais do que isso? Para responder a isso João nos avisa: “De certo, Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo. Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome” (João 20.30-31). Nesses versos João nos ensina que as obras (sinais – milagres) servem para demonstrar que Jesus é o Cristo, ou seja, o Messias prometido nas escrituras Hebraicas, e que Ele também é o Filho de Deus enviado a terra pelo Pai para realizar Sua Vontade.

Entretanto, devemos dizer que podemos conhecer ainda mais de Jesus Cristo ao analisar sua obra, e por isso chamo sua atenção para três ocasiões do seu ministério que testemunham ainda mais sobre ele.

 

A. Jesus tem poder de ressuscitar mortos

As Escrituras Hebraicas tinham deixado claro que apenas Jeová Deus tinha poder para dar ou devolver a vida, observe:

Vede agora que eu — eu é que o sou, E não há [outros] deuses comigo. Eu entrego à morte e eu vivifico. Feri seriamente, e eu — eu vou curar, E não há quem arrebata da minha mão – Deuteronômio 32.39

Jeová é Quem faz morrer e Quem preserva a vida, Quem faz descer ao Seol, e Ele faz subir – 1 Samuel 2.6

Acaso sou Deus, para entregar à morte e para preservar vivo? – 2 Reis 5.7

As Sagradas Escrituras Gregas, do mesmo modo, atestam que apenas Jeová Deus tem esse poder:

Por que se julga incrível entre vós que Deus levante os mortos? – Atos 26.8

Isto se deu à vista Daquele em quem tinha fé, sim, de Deus, que vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se fossem – Romanos 4.17

Entretanto, é interessante que  Jesus Cristo no seu ministério manifestou tal característica algumas vezes. Vamos lembrar alguns desses casos:

E, ao ter dito estas coisas, clamou com voz alta: “Lázaro, vem para fora!” O [homem] que estivera morto saiu com os pés e as mãos amarrados com faixas, e o seu semblante enrolado num pano. Jesus disse-lhes: “Soltai-o e deixai-o ir.” – João 11.43-44

Ao se aproximar do portão da cidade, ora, eis que um morto estava sendo carregado para fora, o filho unigênito de sua mãe. Além disso, ela era viúva. Acompanhava-a também uma multidão considerável da cidade. E, avistando-a o Senhor, teve pena dela e disse-lhe: “Pára de chorar.” Com isso se aproximou e tocou no esquife, e os portadores ficaram parados, e ele disse: “Jovem, eu te digo: Levanta-te!” E o morto sentou-se e principiou a falar, e ele o entregou à sua mãe – Lucas 7.12-15

Enquanto ainda falava, chegou certo representante do presidente da sinagoga, dizendo: “A tua filha morreu; não incomodes mais o instrutor.” Ouvindo isso, Jesus respondeu-lhe: “Não temas, apenas exerce fé, e ela será salva.” Chegando à casa, não deixou ninguém entrar com ele, exceto Pedro, e João, e Tiago, e o pai e a mãe da menina. E todos choravam e se batiam de pesar por ela. De modo que ele disse: “Parai de chorar, pois ela não está morta, mas dorme.” Começaram então a rir-se dele desdenhosamente, porque sabiam que ela havia morrido. Mas ele a tomou pela mão e chamou, dizendo: “Menina, levanta-te!” E voltou-lhe o espírito e ela se levantou instantaneamente, e ele ordenou que se lhe desse algo para comer – Lucas 8.49-55

Diante dessas histórias devemos admitir que Jesus era de fato especial, mas seria isso uma forma de Jesus dizer quer Ele era Deus? Seria correto dizer que Jesus, por fazer o que apenas Jeová pode fazer o torna igual a Deus? Muitas pessoas acreditam que não, até por que Jesus não foi o único que ressuscitou pessoas. AS Escrituras Hebraicas contam a história de Elias que também trouxe à vida o filho de uma mulher viúva:

“Elias tomou então o menino e o levou do quarto de terraço para baixo à casa, e o entregou à sua mãe; e Elias disse então: “Vê, teu filho está vivo” – 1 Reis 17.23

Contudo, devemos nos perguntar: Elias fez isso por seu poder? A resposta é clara: Certamente não. No mesmo texto Elias faz o seguinte reconhecimento:

“E passou a estender-se três vezes sobre o menino e a clamar a Jeová, e a dizer: “Ó Jeová, meu Deus, por favor, faze a alma deste menino voltar para dentro dele.” Jeová escutou finalmente a voz de Elias, de modo que a alma do menino voltou para dentro dele e este reviveu” – 1 Reis 17.21-22

Na verdade, Elias não trouxe ninguém à vida, mas Jeová Deus o fez. Elias apenas clamou a Jeová para que Ele fizesse o que o profeta não era autorizado e nem tinha poder para realizar. Mas não é isso que vemos com Jesus, afinal, as escrituras dizem que Jesus ressuscitou pessoas. As histórias de Cristo, narradas por seus seguidores e inspirada pelo Espírito Santo, testemunham que Cristo exerceu tal poder. Se encontrássemos apenas essas declarações nas escrituras, já teríamos suficiente evidências para dizer que as obras de Cristo testemunham sua verdadeira divindade. Contudo, o próprio Jesus afirma ter o poder e autoridade exclusivas de Jeová Deus para ressuscitar pessoas:

Porque, assim como o Pai levanta os mortos e os faz viver, assim também o Filho faz viver os que ele quer – João 5.21

Nas palavras de Jesus, Ele mesmo tem o mesmo poder de Jeová Deus, pois do mesmo modo que o Pai ressuscita os mortos, o Filho também o faz a quem quer. Ninguém na história da humanidade poderia dizer isso, pois ninguém pode dar vida a quem quiser. Apenas Jeová Deus tem esse poder, e Jesus clama para si mesmo tal autoridade exclusiva de Jeová Deus. Diante disso, temos por certo que suas obras testemunha sua divindade, e suas palavras claramente a apresentam.

 

B. Jesus tem poder para perdoar pecados

Nas escrituras, o pecado sempre é uma ofensa contra Deus, e Davi nos ensina isso claramente:

Pequei contra ti, somente contra ti, E fiz o que é mau aos teus olhos, A fim de que te mostres justo ao falares, Para que sejas puro ao julgares – Salmos 51.4

Observe que nessa situação Davi está confessando a Jeová seus erros, que incluíam o adultério com Bate-Seba e o assassinato de Urias, o marido dela. Entretanto, quando fala dos seus erros, Davi afirma que pecou contra Jeová. Temos por certo que seus equívocos tiveram grande influência sobre as pessoas e conseqüências pessoais terríveis, mas o que nos chama a atenção é o fato que Davi entende que havia pecado contra Jeová somente. Em outro texto, Davi torna isso ainda mais claro: “Davi disse então a Natã: Pequei contra Jeová” (2Samuel 12.13). O pecado sempre é uma ofensa contra Deus, e por isso, apenas Deus tem autoridade para perdoar pecados, e no caso de Davi, foi exatamente o que aconteceu, pois Jeová o perdoou e não o matou.

Com essa história entendemos que é fato que a única pessoa que poderia perdoar pecados seria aquele que é ofendido. Isso é relativamente simples, e proponho uma ilustração para apresentar o conceito:

Suponha que Alex tenha agredido a Fernando na presença de Marcos. O ofendido nessa situação certamente é o Fernando, e portanto, somente o Fernando pode perdoar. Por outro lado, apenas Alex é culpado da agressão, afinal, Marcos nada fez a Fernando. Ou seja, a única pessoa que deveria pedir perdão seria Alex. Contudo, se Alex pedir perdão para Marcos, nada adiantará, afinal ele não foi ofendido. Da mesma forma, Marcos não pode oferecer perdão a Alex por não ser ele o ofendido. Ou seja, o perdão só pode ser oferecido por Fernando para Alex, e Alex só pode solicitar o perdão a Fernando, a quem ele ofendeu.

Nossa situação com Deus é similar, pois nossos pecados são ofensas realizadas contra Deus. Ou seja, apenas Deus pode oferecer perdão para nossos pecados, pois apenas ele foi ofendido com nossa conduta equivocada. Contudo, Jesus abertamente afirma ter a autoridade de Deus para perdoar pecados:

E [certos] homens vieram trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro. Mas, não podendo levá-lo diretamente a [Jesus], por causa da multidão, removeram o telhado por cima do lugar onde ele estava, e, tendo aberto um buraco, abaixaram a maca em que o paralítico estava deitado. E, quando Jesus viu a fé que tinham, disse ao paralítico: “Filho, teus pecados estão perdoados.” – Marcos 2.3-5

É interessante observar nessa história que a expressão de Jesus não parece conectada a história. Note que quatro homens haviam trazido esse paralítico à presença de Cristo na esperança de que Ele o curasse, já era conhecido entre muitas pessoas que Jesus tinha poder para curar. Entretanto, nesse caso Jesus não olha para o paralítico e diz, como era de se esperar: “Levanta-te e anda“; mas Ele diz que seus pecados estão perdoados.

Não é de se espantar que a multidão que ouvira isso tenha ficado incomodada. Aliás, o evangelista claramente apresenta a opinião daqueles que ouviam:

Ora, alguns dos escribas estavam ali sentados e raciocinavam nos seus corações: “Por que fala este homem dessa maneira? Ele está blasfemando. Quem pode perdoar pecados senão um só, Deus?”  – Marcos 2.6-7

Os ouvintes de Cristo estão tão surpresos como muitos ficam ao ler essa história. Mas, devemos nos perguntar se tal afirmação dos escribas é verdadeira, afinal, os escribas estavam errados em muitos aspectos, especialmente ao que se referia à pessoa de Cristo. Em outras palavras, é verdade que apenas Deus pode perdoar pecados? Vamos ver o que as escrituras ensinam:

Pois contigo há o [verdadeiro] perdão, A fim de que sejas temido – Salmo 130.4

Eu é que sou Aquele que perdoa as tuas transgressões por minha própria causa, e não me lembrarei dos teus pecados – Isaías 43.25

A Jeová, nosso Deus, pertencem as misericórdias e os atos de perdão, pois nós nos rebelamos contra ele – Daniel 9.9

Quem é Deus como tu, perdoando o erro e passando por alto a transgressão do restante da sua herança? Certamente não se aferrará à sua ira para todo o sempre, pois se agrada na benevolência. – Miquéias 7.18

“E não mais ensinarão, cada um ao seu companheiro e cada um ao seu irmão, dizendo: ‘Conhecei a Jeová!’ porque todos eles me conhecerão, desde o menor deles até o maior deles”, é a pronunciação de Jeová. “Porque perdoarei seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado” – Jeremias 31.34

É importante dizer que em nenhum lugar nas escrituras encontramos mais alguém que tenha poder ou autoridade para perdoar pecados, pois essa é uma tarefa exclusiva de Deus. Contudo, Jesus fala abertamente que tem esse poder e autoridade, e desafia seus críticos a avaliarem sua proposição:

Mas, Jesus, tendo discernido imediatamente pelo seu espírito que estavam raciocinando deste modo no íntimo, disse-lhes: “Por que estais raciocinando essas coisas em vossos corações? 9 O que é mais fácil, dizer ao paralítico: ‘Teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, apanha a tua maca e anda’? 10 Mas, a fim de que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” — ele disse ao paralítico: 11 “Eu te digo: Levanta-te, apanha a tua maca e vai para a tua casa.” 12 Com isso, este se levantou e apanhou imediatamente a sua maca, e saiu andando na frente de todos, de modo que todos ficaram simplesmente arrebatados e glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos nada igual.” – Marcos 2.8-12

Jesus não tem nenhuma dificuldade em afirmar claramente que possui autoridade e poder exclusivos de Jeová Deus em seu ministério na terra. Com isso, Jesus clara e abertamente testemunhou ao mundo sua identidade com o Pai ao realizar obras que apenas Jeová poderia realizar. Em outras palavras, Jesus claramente afirmou ser Deus.

 

2. O que o ensino de Jesus testemunha a seu respeito?

Em muitas ocasiões Jesus ensinou seus discípulos, seguidores e até mesmo numerosas multidões e não era incomum que as pessoas admirassem seu ensino. Algumas vezes no seu ministério vemos o elogio das pessoas ao que Cristo ensina dizendo que seu ensino não é como dos escribas ou fariseus, pois seu ensino tem autoridade.

Temos consciência de que o ensino de Jesus Cristo é fundamental para o cristão e que suas palavras tem autoridade sobre nós. Mas, encontramos nos ensinos de Cristo algo que demonstre sua divindade? Vamos lembrar de algumas histórias.

 

A. Jesus equipara suas palavras com as palavras de Jeová

Em uma dessas ocasiões em que o ensino de Cristo é elogiado com um ensino com autoridade, Jesus equipara suas palavras com as palavras de Jeová. No conhecido Sermão da Montanha Jesus faz isso algumas vezes:

Ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves assassinar; mas quem cometer um assassínio terá de prestar contas ao tribunal de justiça.’ No entanto, digo-vos que todo aquele que continuar furioso com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça; mas, quem se dirigir a seu irmão com uma palavra imprópria de desprezo terá de prestar contas ao Supremo Tribunal; ao passo que quem disser: ‘Tolo desprezível!’, estará sujeito à Geena ardente

Nessa ocasião, Jesus está citando as escrituras quando diz ouvistes o que se disse aos dos tempos antigos e corrige o modo como eles entenderam as escrituras por afirmar no entanto digo-vos. Infelizmente aqui a TNM deixou de fora um termo importantíssimo: “Eu”. O texto não está simplesmente colocando a opinião de Cristo, mas demonstrando a autoridade de Cristo: Ouvistes o que foi dito e Eu vos digo. Nessa expressão, repetida algumas vezes mais no mesmo capítulo, Jesus equipara suas Palavras com as de Jeová.

No passado Jeová havia dado ao povo a Lei e os seus mandamentos, mas Jesus é quem apresenta um novo mandamento: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo.13.34). A idéia de amar ao próximo já era bem conhecida nas Escrituras Hebraicas, mas Cristo apresenta um novo mandamento e complementa as palavras de Jeová, pois na Lei as pessoas deveriam amar seu próximo como a si mesmo, mas os seguidores de Cristo deveriam amá-los como Ele mesmo amado.  Devemos lembrar também que nesse assunto, a Lei dizia para amar o próximo, ao passo que Jesus manda amar até mesmo o inimigo. A qualidade do amor exigido por Cristo a seus seguidores, não apenas se equipara com as Palavras de Jeová, mas as completa.

Jeová sempre atestou que sua palavra é para sempre e que ela jamais seria terminada, observe:

Para sempre, ó Jeová, Tua palavra está posta nos céus.  – Salmos 119.89

Quanto às tuas prescrições, há muito sei que as estabeleceste para sempre. – Salmos 119.152

Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas, quanto à palavra de nosso Deus, ela durará para sempre – Isaías 40.8

Entretanto, Jesus revogou para suas palavras a mesma autoridade:

pois, deveras, eu vos digo que antes passariam o céu e a terra, do que passaria uma só letra menor ou uma só partícula duma letra da Lei sem que tudo se cumprisse – Mateus 5.18

Céu e terra passarão, mas as minhas palavras de modo algum passarão – Mateus 24.35

Ao fazer isso, claramente Jesus equipara suas palavras com a de Jeová, e sabemos por fato que a palavra de mais ninguém tem a mesma autoridade que a palavra de Jeová, apenas Cristo, com que Ele é um (Jo.10.30). Mas, também lemos nas escrituras que apenas Jeová é verdadeiro Juiz:

Deus é justo Juiz, E Deus lança verberações cada dia – Salmos 7.11

Pois Deus é o juiz. A este ele rebaixa e aquele exalta – Salmos 75.7

Entretanto, nos seus ensino Jesus também revogou ter tal autoridade:

Quem me desconsiderar e não receber as minhas declarações, tem quem o julgue. A palavra que eu tenho falado é que o julgará no último dia – João 12.48

Ao realizar todas essas ações, fica evidente que Jesus não apenas se equipara a Jeová, mas como é divino e seus ensinos testemunham exatamente isso.

 

B. Jesus afirmou ser o Cristo prometido

Os judeus do período de Cristo, e muitos ainda hoje, esperam o Messias (Cristo) prometido nas Escrituras Hebraicas. Nela, os judeus sempre encontraram informações sobre quem o Messias seria e quais suas caracteristicas, mas infelizmente eles não haviam percebido a profundidade de algumas das afirmações a respeito do Messias esperado. Por exemplo, em Isaías 9.6 o Messias é chamado de Deus forte e em Salmos encontramos a declaração de que o trono messiânico seria para sempre, e nesse verso ele é chamado de Deus (Sl.45.6).

É verdade que em nenhuma dessas ocasiões se diz que o Messias seria chamado pelo nome de Jeová, mas seria chamado de Elohim, que nas escrituras hebraicas era um termo comum a ser empregado a seres humanos, como reis, e até mesmo a seres angélicos. Contudo, o próprio Jeová afirma ser Elohim algumas vezes, especialmente em Deuteronômio 6.4: “Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus [Elohim], é um só Jeová“.

Entretanto, isso não  é tudo o que se poderia aprender com as Escrituras Hebraicas a respeito do Messias. Existe um texto muito interessante que afirma que o Messias seria o próprio Jeová:

“Eis que vêm dias”, é a pronunciação de Jeová, “e eu vou suscitar a Davi um renovo justo. E um rei há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo e o próprio Israel residirá em segurança. E este é o nome pelo qual será chamado: Jeová É Nossa Justiça” – Jeremias 23.5-6

Nesse texto, o Messias é primeiramente chamado de renovo justo, como é comum nas escrituras hebraicas (Sl. 132.11; Is.4.2; 11.1; Zc.6.12; ). Nesse texto também vemos que o Messias viria para executar o juízo e a justiça, bem como proteger a Israel. Entretanto, o seu nome será Jeová é nossa Justiça.

Dois detalhes aqui são importantes: (1) o uso do termo “nome” (hb. shem) e (2) o uso do Tetragrama (YHWH). O uso do termo “nome” é importante, pois ele não fala apenas da nomenclatura de um pessoa, mas o termo hebraico é freqüentemente associado ao caráter de uma pessoa, observe:

Por favor, não fixe meu senhor seu coração neste homem imprestável, Nabal, pois ele é tal qual seu nome. Nabal é o seu nome e a insensatez está com ele. Quanto a mim, tua escrava, não vi os moços do meu senhor, que enviaste. – 1 Samuel 25.25

Essa relação entre nome e caráter nas escrituras hebraicas é fato claramente observável. Considere o caso de Jacó que teve seu nome alterado para Israel por Jeová (Gn.35.10). O significado de Jacó é “enganador” ao passo que Israel “Deus prevalece” como expressão da fidelidade e manutenção graciosa do Seu Soberano Plano apresentado a Abraão. Fato similar acontece com Noemi, que por grande sofrimento pela perda do marido e dos seus filhos (Rt.1.12), descreve sua situação com o termo “amarga” (hb. Mara; Rt.1.13; cf. Ex.15.23), nome que adota para descrever sua situação: “Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso” (Rt.1.20).

Entretanto, é fundamental demonstrar que esse termo (hb. shem) é usado nas escrituras hebraicas para descrever a exclusividade de Jeová, e eventualmente é usado em substituição do Tetragrama:

Deves fazer para mim um altar de terra, e sobre ele tens de sacrificar as tuas ofertas queimadas e os teus sacrifícios de participação em comum, teu rebanho e tua manada. Em todo lugar onde farei que meu nome seja lembrado virei a ti e certamente te abençoarei. – Êxodo 20.24

Por isso vou entoar melodias ao teu nome para todo o sempre, A fim de pagar meus votos dia após dia – Salmos 61.8

Em ambos os versos, a idéia é que Jeová Deus deveria ser lembrado ou adorado, e as escrituras hebraicas apresentam esse tipo de situação várias vezes. Contudo, ainda mais interessante do que isso é que o texto de Jeremias fala que o nome, isso é, o caráter e a essência do Messias, será Jeová. Contudo, Jeová mesmo garante que o Tetragrama é o seu nome e ele não o dá a ninguém:

Jeová é pessoa varonil de guerra. Jeová é o seu nome – Êxodo 15.3

Deus disse então mais uma vez a Moisés: “Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘Jeová, o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó enviou-me a vós.’ Este é o meu nome por tempo indefinido e esta é a recordação de mim por geração após geração – Êxodo 3.15

Eu sou Jeová. Este é meu nome; e a minha própria glória não darei a outrem, nem o meu louvor a imagens entalhadas – Isaías 42.8

Ou seja, ao dizer que o Messias terá o nome de Jeová nossa Justiça, Jeová está dizendo que o Messias será como Jeová. Mais importante ainda, o Messias terá o mesmíssimo nome de Jeová, o nome que não divide com ninguém. É importante dizer que no texto de Jeremias encontramos o Tetragrama para descrever a pessoa do Messias. Assim, podemos dizer que as escrituras hebraicas claramente atestam que o Messias será divino.

Tendo assegurado isso, devemos lembrar que Jesus chamou para si a idéia de ser o Cristo,prometido pelas escrituras. João, o batizador, quando já encarcerado teve dúvidas quanto a verdade e pediu que seus discípulos fossem conferir se de fato Jesus era o Messias:

João, na cadeia, porém, tendo ouvido [falar] das obras do Cristo, enviou os seus próprios discípulos e mandou dizer-lhe: “És tu Aquele Que Vem, ou devemos esperar alguém diferente?” Jesus disse-lhes, em resposta: “Ide e relatai a João o que ouvis e vedes: 5 Os cegos estão vendo novamente e os coxos estão andando, os leprosos estão sendo purificados e os surdos estão ouvindo, e os mortos estão sendo levantados, e aos pobres estão sendo declaradas as boas novas; 6 e feliz é aquele que não achar em mim nenhuma causa para tropeço – Mateus 11.2-6

A resposta de Jesus foi clara: Ele citou Isaías 35.5 e 61.1 que falam sobre o Messias. Jesus não teve qualquer dificuldade em assumir que era de fato o Messias prometido. Quando Pedro declarou que Ele era o Cristo, Jesus demonstrou que tal verdade fora revelada pelo Pai que está nos céus (Mateus 16.16-17). Mas, uma importante evidência de sua clara consciência messiânica foi vista já perto do fim de sua vida:

O sumo sacerdote começou novamente a interrogá-lo e disse-lhe: “És tu o Cristo, o Filho do Bendito?” Jesus disse então: “Sou; e vós vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo com as nuvens do céu – Marcos 14.61-62

Nessa ocasião fica evidente que Jesus claramente assume o título de Cristo, e devemos dizer que diante do testemunho das escrituras hebraicas, Jesus Cristo é de fato divino, pois foi assim que as escrituras hebraicas se referiram a Ele.

 

C. Jesus aceita dos homens aquilo que apenas Jeová deveria aceitar

Outra característica interessante de Cristo é que além de suas obras e seus ensinos atestarem sua divindade, Ele também aceita duas ações dos homens que devem ser apenas oferecidas a Jeová: oração e adoração. Diferente do que muitas pessoas pensam Jesus não apenas ensinou os discípulos a orarem, Ele os incentivou a orarem em seu nome:

Também, o que for que pedirdes em meu nome, eu farei isso, a fim de que o Pai seja glorificado em conexão com o Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei – João 14.13-14

Vós não me escolhestes, mas eu escolhi a vós, e eu vos designei para prosseguirdes e persistirdes em dar fruto, e que o vosso fruto permaneça; a fim de que, não importa o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dê – João 15.16

E naquele dia não me fareis absolutamente nenhuma pergunta. Eu vos digo em toda a verdade: Se pedirdes ao Pai qualquer coisa, ele vo-la dará em meu nome. Até o momento não pedistes nem uma única coisa em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja plena – João 16.23-24

É bem verdade que no ensino de Cristo, fica evidente que a oração deve ser feita ao Pai, mas é na sua autoridade que tal oração é feita. Entretanto, seus seguidores não apenas oravam em nome de Cristo (1Co.5.4) como também oravam a Cristo:

E atiravam pedras em Estêvão, enquanto ele fazia apelo e dizia: “Senhor Jesus, recebe meu espírito – Atos 7.59

Mas, mais importante do que ser digno de receber as orações de seus seguidores, Jesus Cristo também recebeu adoração. As escrituras hebraicas deixam claro que apenas Jeová pode ser adorado (Ex.20.1-4, Dt.5.6-7). As escrituras gregas cristãs do mesmo modo apóiam a exclusividade de Jeová na adoração com clareza (At.17.29; 19.26; Rm.1.23). As escrituras também são claras em atestar que nenhum ser humano é digno de receber adoração (At.14.15) e que até mesmo os seres angélicos não tem tal dignidade (Rev.22.8,9). Infelizmente, a Tradução do Novo Mundo esconde o fato de que Jesus recebeu adoração dos seus leitores, por dizer que eles o homenageavam:

E eis que veio um leproso e começou a prestar-lhe homenagem, dizendo: “Senhor, se apenas quiseres, podes tornar-me limpo” – Mateus 8.2

Em primeiro lugar, o próprio texto não parece um ambiente de prestação de homenagem, afinal o homem que se achega a Cristo aqui está aflito e perdido. Ele precisa de ajuda, ele está desesperado. Até mesmo sua afirmação a Cristo parece sugerir mais do que uma homenagem: Ele o chama de Senhor e reconhece seu poder e autoridade para realizar o que ele lhe pede. Em nenhum momento esse leproso desconfiou de quem Jesus era e do que Ele era capaz de fazer, mas submisso à sua autoridade, pede que se for da vontade Dele, que Cristo o faça limpo.

Em segundo lugar, o termo empregado por Mateus aqui foi mal compreendida pela Tradução do Novo Mundo (TNM). O termo usado aqui é “proskunéo“, o mesmo termo que a TNM traduz em outros lugares, especialmente em referência a Jeová como adoração:

“Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração” Jesus disse-lhe então: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado” – Mateus 4.9-10

Nesses versos o mesmo termo é usado duas vezes, e vemos que o sentido aqui é claramente adorar, e sempre que o termo é usado em referência a Jeová, esse é o sentido usado pela TNM (Mt 4:10; Jo 4:20-23s; 12:20; At 24:11; 1Cor 14:25; Hb 11:21; Rv 4:10; 14:7; 19:4). O mesmo acontece quando é usado em referência a agentes de Satanás (Lc 4:7 ; Rv 9:20; 13:4; 14:9, 11) e a seres angélicos (Rv.22.8). Até mesmo quando Pedro foi surpreendido pela postura de Cornélio, o termo usado também foi “proskunéo” (At.10.25). Ou seja, a TNM aceita que o termo tenha de fato o sentido de adoração, mas apenas nas ocasiões relacionadas a Cristo é que ela faz diferença (Mt 2:2, 8, 11; 8:2; 9:18; 14:33; 20:20; 15:25; 28:9, 17; Mc 5:6; 15:19; Lc 24:52). Com isso, estamos dizendo que as escrituras sagradas afirmam com clareza que Jesus recebeu adoração, e que isso certamente implica em dizer que Jesus é divino.

Entretanto, a mais clara das afirmações sobre quem Cristo é foi realizada em um ato de adoração, quando Tomé o reconheceu após a ressurreição: “Em resposta, Tomé disse-lhe: “Meu Senhor e meu Deus!” (João 20.28). É interessante que, diferente dos seres angélicos e seres humanos, Jesus nunca repreendeu as pessoas que se prostravam diante dele em adoração, do mesmo modo que nunca repreendeu a Tomé por chamá-lo de Senhor e Deus.

Com isso, estamos dizendo que com sua postura nesses casos, Jesus claramente falou ser Ele verdadeiramente divino.

 

3. Jesus alguma vez disse claramente ser Deus?

Como vimos na citação inicial, a STV afirma que Jesus nunca afirmou ser Deus, e se considerarmos suas obras e ensinos, devemos dizer que tal publicação está redondamente equivocada. Contudo, encontramos em algum lugar nas escrituras uma ocasião na qual Jesus afirma ser Deus? A resposta a essa pergunta é: Certamente!

Algumas afirmações são simples, mas claras. Por exemplo, Jesus afirmou ser o bom pastor (Jo.10.11), ofício que sempre foi de Jeová (Sl.23.1); Ele também afirmou ser o juiz de todos os povos (Mt.25.31s; Jo.5.27), mas esse cargo também é exclusivo de Jeová (Jl.3.12); Jesus também assumiu o título de noivo (Mt.25.1), título que pertence a Jeová (Is.62.5; Os.2.16). Jesus se auto-denominou luz do mundo (Jo.8.12), ao passo que Jeová é assim apresentado (Sl.27.1). Mas, diante dessas declarações que isso não é evidência de que Jesus tenha dito ser Ele mesmo Deus. Contudo, convidamos os leitores a prosseguir.

Nas escrituras, Jeová sempre foi reconhecido com o Primeiro e o Último:

Quem tem estado ativo e tem feito [isso], convocando as gerações desde o começo? “Eu, Jeová, o Primeiro; e sou o mesmo com os últimos – Isaías 41.4

Assim disse Jeová, o Rei de Israel e seu Resgatador, Jeová dos exércitos: ‘Sou o primeiro e sou o último, e além de mim não há Deus – Isaías 44.6

Escuta-me, ó Jacó, e tu, Israel, meu chamado. Eu sou o Mesmo. Sou o primeiro. Além disso, sou o último – Isaías 48.12

Temos por certo que dizer que Jeová é o Primeiro e o Último, significa assumir que não existe ninguém antes Dele, nem depois Dele. Essa nomenclatura exclusiva de Jeová é assumida por Cristo no livro das Revelações:

E ao anjo da congregação em Esmirna escreve: Estas coisas diz aquele, ‘o Primeiro e o Último’, que ficou morto e passou a viver [novamente] – Revelações 2.8

‘Eis que venho depressa, e a recompensa que dou está comigo, para dar a cada um conforme a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim – Revelações 22.12-13

Ao assumir esse título característico de Jeová, temos por certo que Jesus está dizendo ser Ele mesmo Deus. Nos dois textos de Revelações, vemos claramente que é Jesus o autor dessas frases, pois é o mesmo que morreu e voltou a viver, Aquele que vem sem demora. Não existe qualquer chance de esses textos falarem a respeito de Jeová, afinal, Ele mesmo jamais morreu e não prometeu voltar. É interessante que em Revelações, é recorrente a idéia de que Cristo voltará, aliás, o livro inicia e termina com essa expectativa (Rev.1.7; 22.20).

Bom, talvez até aqui alguém diga: “Tudo bem. Jesus disse ter títulos de Jeová, mas nunca afirmou categoricamente ser Deus“. Na verdade, temos que considerar ainda dois textos interessantes:

E quanto às quatro criaturas viventes, cada uma delas, respectivamente, tem seis asas; ao redor e por baixo estão cheias de olhos. E elas não têm descanso, dia e noite, ao dizerem: “Santo, santo, santo é Jeová Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que vem. – Revelações 4.8

Ao olhar para esse texto vemos a tríplice adoração como em Isaías (Santo, santo, santo). Também vemos o nome de Jeová Deus, a quem as criaturas viventes dirigem sua adoração. Na seqüência vemos a designação clara da superioridade de Jeová, como Todo-Poderoso, título que ninguém jamais recebeu. Também vemos a descrição da eternidade de Jeová, que era, que é e que vem. Em Revelações aquele que vem, sempre é Jesus Cristo, afinal Jeová nunca prometeu voltar. No livro de Revelações apenas Jesus poderia receber essa descrição, mas aqui Jeová a recebe.

Das duas uma: Ou Jeová é equiparado a Cristo ou Cristo equiparado a Jeová. Seja como for, esse texto CLARAMENTE atribui as mais importantes descrições divinas de Jeová (Digno de adoração, cujo nome é Jeová, Todo-Poderoso) a Cristo. Diante disso vemos claramente o fato de que Jesus não apenas aceita tal posição como as criaturas viventes na eternidade o reconhecem com facilidade.

Entretanto, alguém poderá dizer: “Ei, mas essa expressão não foi dita por Jesus!“. Isso é verdade. É que infelizmente os que procuram esconder tudo o que já vimos até aqui, precisam ver uma ocasião em que Jesus afirmou ser Deus. Bom, para esses devo lembrá-los de apenas mais um texto:

“Se tu és filho de Deus, lança-te para baixo; pois está escrito: ‘Dará aos seus anjos encargo concernente a ti, e eles te carregarão nas mãos, para que nunca batas com o pé contra uma pedra.’” Jesus disse-lhe: “Novamente está escrito: ‘Não deves pôr Jeová, teu Deus, à prova.’ – Mateus 4.6-7

Ao tentar Jesus Cristo, Satanás ofereceu a possibilidade de Jesus Cristo se jogar de cima do pináculo do templo com a promessa de que Seus anjos o segurem. Em resposta ao pedido de Satanás, Jesus disse: “Não deves por Jeová, teu Deus à prova“. Nessa simples frase, Jesus disse: Pare de me tentar, eu sou Jeová teu Deus. Simples e claro.

Diante disso, jamais poderíamos dizer, como disse o autor no início desse post, que Jesus jamais afirmou ser Deus, nem que a Bïblia não o diz, afinal vimos que Jesus afirmou ser Deus em suas obras, ensinos, títulos e claramente na cena da tentação. Por isso, devemos assumir que diante do TODO das escrituras: Jesus é chamado claramente de Deus.

O que dizer do problema textual de João 1.18?

Um dos problemas textuais mais controvertidos é provavelmente o encontrado em Jo.1.18: Liberais e Ortodoxos tem suas impressões sobre ele, e todos tem seus motivos bem declarados. Aos que têm em mãos várias versões bíblicas já puderam perceber as possíveis leituras desse texto:

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (ACF)

“Nenhum homem jamais viu a Deus, o deus unigênito, que está [na posição] junto ao seio do Pai, é quem o tem explicado” (TNM)

“Ninguém jamais viu a Deus: O Filho Unigênito que está no seio do Pai, este o deu a conhecer” (BJ)

“Ninguém nunca viu a Deus. Somente o Filho único, que é Deus e está ao lado do Pai, foi quem nos mostrou” (NTHL)

“Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (ARA)

“Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (NVI)

“A Dios nadie Le vio jamás; el unigênito Hijo, que está em el seno del Padre, el Le há dado a conocer” (ACR)

“Dios nadie lo ha visto nunca; el Hijo unigénito, que es Dios y que vive en unión íntima con el Padre, nos lo ha dado a conocer” (NVI)

“No man hath seen God at any time; the only begotten Son, which is in the bosom of the Father, he hath declared him” (KJV)

“No one has ever seen God, but God the One and Only, who is at the Father’s side, has made him known” (NIV)

“No one has ever seen God. The only Son, God, who is at the Father’s side, has revealed him” (NAB)

“No one has ever seen God. The only one, himself God, who is in the presence of the Father, has made God known” (NET)

Diante da diversidade das versões, mesmo em português, nos perguntamos: Qual dessas traduções traz a leitura correta? O que é fato assumido como certeza nessa discussão é que apenas uma das leituras variantes pode ser a original. Provavelmente, essa é a única certeza que temos quanto a esse dilema textual[1].

A disputa nesse verso está entre cinco leituras encontradas em manuscritos gregos:

  1. monogenes théos: lit. Deus Unigênito
  2. ho monogenes théos: lit. o Deus Unigênito
  3. ho monogenes uiós: lit. o Filho Unigênito
  4. monogenes uiós theou: lit. Filho Unigênito de Deus
  5. ho monogenes: lit. o Unigênito

Muito embora sejam cinco as leituras variantes, normalmente tomam-se apenas como duas opções de fato: as duas primeiras testemunham a mesma leitura enquanto a quarta e a quinta são tão improváveis (do ponto de vista das evidências externas) que quase não são consideradas. Sobre isso iremos falar mais adiante. Por ora, vamos conhecer melhor as leituras disponíveis e os documentos que trazem tais leituras.

1. Identificando as possíveis variantes

Brian J. Write sobre o assunto diz: “Todas as variantes (…) são divididas em dois grupos distintos ou lendoυἱὸς ou θεὸς. Se a última opção é escolhida, a decisão final depende da presença ou ausência do artigo[2]”. De qualquer forma, é importante que se diga que, para a Teologia do Novo Testamento, ambas as leituras não trazem dificuldade alguma[3], [4].

É interessante que um dilema tão difícil como esse possa ter nascido na alteração de apenas uma letra. Nos antigos unciais acontece um fenômeno bem recorrente que é o uso da Nomina Sacra, que nada mais é do que a abreviação das formas substantivas relacionadas à divindade. No caso, θεὸς e υἱὸς eram escritos como θC  e UC respectivamente. Ou seja, a simples troca de U por θ seria capaz de produzir tal mudança[5]. Para demonstrar como esse fato, veja abaixo a foto do Códice Vaticano e do Washingtonensis nesse trecho[6]:

Jo118Jo118 (W)

Entretanto, apesar de parecer muito simples e sutil essa alteração, as evidência demonstram que a compreensão de como isso poderia ter acontecido é muito mais complexo. A questão não limita-se apenas à alteração de uma letra, mas de como ela aconteceu: Quando aconteceu a primeira alteração, para qual opção teria sido? Por que razão? Era uma defesa ou ataque teológico? Será que trata-se de uma corrupção do texto original influenciado pelas heresias? Seria uma alteração apologética feita pelos ortodoxos? É possível que tenha acontecido por desatenção?

Ao certo, a resposta a essas perguntas depende da análise crítica das variantes, e é necessário que se diga que por mais acurada que uma análise possa ser, ela não é a garantia da verificação da verdade: Trata-se apenas de uma tentativa de compreender a verdade expostas nesses dilemas.

O primeiro passo que tomaremos nesse estudo é o reconhecimento das variantes textuais. Abaixo separo cada uma das variantes com os documentos que as suportam:

Leituras Possíveis[7] Documentos
μονογενὴς θεὸς

Deus Unigênito

p66 א* B C* L pc syrp syrh(mg) geo2Diatessarona Valentiniansaccording to Irenaeus Valentiniansaccording to ClementPtolemy Heracleon Origengr(2/4)Ariusaccording to Epiphanius Apostolic Constitutions Didymus Ps-Ignatius Synesiusaccording to Epiphanius Cyril1/4
ὁ μονογενὴς θεὸς

O Deus Unigênito

p75 א2 33 pc copbo Theodotusaccording to Clement(1/2) Clement2/3 Origengr(2/4)Eusebius3/7 Serapion1/2 Basil1/2 Gregory-Nyssa Epiphanius Cyril3/4
ὁ μονογενὴς υἱὸς

O Filho Unigênito

A C E F G H K Wsupp X Δ Θ Π Ψ 063 0141 f1 f13 28 157 180 205 565 579 597 700 892 1006 1009 1010 1071 1079 1195 1216 1230 1241 1242 1243 1253 1292 1342 1344 1365 1424 1505 1546 1646 2148 Byz Lect ita itaur itb itc ite itf itff2 itl vg syrc syrhsyrpal arm eth geo1 slav Theodotusaccording to Clement(1/2) Theodotus Irenaeuslat(1/3)Clement1/3 Tertullian Hippolytus Origenlat(1/2) Letter of Hymenaeus Alexander Eustathius Eusebius4/7Hegemonius Ambrosiaster Faustinus Serapion1/2 Victorinus-Rome Hilary5/7Athanasius Titus-Bostra Basil1/2 Gregory-Nazianzus Gregory-Elvira Phoebadius Ambrose10/11 Chrysostom Synesius Jerome Theodore Augustine Nonnus Cyril1/4 Proclus Varimadum Theodoret Fulgentius Caesarius John-Damascus Ps-Priscillian ς
μονογενὴς υἱὸς θεοῦ

Filho Unigênito de Deus

itq (copsa? θεὸς) Irenaeuslat(1/3)Ambrose1/11(vid)
ὁ μονογενὴς

O Unigênito

vgms Diatessaron Jacob-Nisibis Ephraem Cyril-Jerusalem Ps-Ignatius Ps-Vigilius1/2Nonnus Nestorius

Tendo demonstrado quais são as leituras variantes e os documentos que a suportam, gostaria de apresentar como se tem interpretado as evidências disponíveis. A verdade é que, diferentes teólogos têm interpretado de modo diferente as evidências disponíveis, e conhecer seus argumentos certamente enriquecerá nosso entendimento do dilema.

2. Posições Conhecidas

A. Velha Ortodoxia

Nesse artigo, passo a chamar Velha Ortodoxia o posicionamento de cristãos ortodoxos que defendem ou o Texto Recebido (TR) ou o Texto Majoritário (TM) e são normalmente favoráveis à leituras mais Bizantinas. Chamo velho não por estarem desatualizados, nem por representarem uma determinada faixa etária, mas por se tratar de um grupo que tem perdido sua expressão com o avanço do Texto Crítico. Os defensores do TR são certamente cristãos genuínos que por zelo (eventualmente exagerado) tendem a considerar a influencia Alexandrina no texto do NT como fermento e corrupção. E, portanto, entendem toda aproximação dos textos alexandrinos como perversão da verdade[8].

Para esse grupo a leitura “Deus unigênito” é uma perversão. Wilburn Pickering, que escreveu um excelente livro sobre crítica textual[9], defende essa posição. Segundo ele, nesse texto uma anomalia séria é introduzida, pois “Deus como Deus, não é gerado”. Sobre o assunto ele diz:

’Um deus unigênito’ é tão deliciosamente gnóstico que a origem egípcia aparente desta leitura a faz duplamente suspeita. Também seria possível traduzir a segunda leitura como “unigênito deus!”, enfatizando a qualidade [de ser Divino], e isto tem atraído muitos que aí vêem uma forte afirmação da divindade de Cristo. No entanto, se Cristo recebeu Sua “Divindade” através do processo de geração, então não pode ser a eternamente preexistente Segunda Pessoa da Trindade. Também “unigênito” não é análogo a “primogênito”, que se refere à prioridade de posição — isto poria o Filho acima do Pai. Não importa como a encaremos, a redação da UBS introduz uma anomalia séria[10]

Em outras palavras, o que Pickering quer dizer com isso é que, a anomalia produzida acresce uma pessoa à Trindade, pois se o texto diz “Deus unigênito” não pode fazer referência a Jesus Cristo. Mas, o que me chama mais a atenção é que para ele, tal variante é deliciosamente gnóstica. Com isso, estamos falando de um copista alterando o texto para apoiar suas próprias convicções e com isso defendendo uma opinião gnóstica.

É interessante que para Pickering, o conceito de “monogenes” tem que significa mais que apenas monos, e com isso ele não acredita que os usos do NT justifiquem a tradução “único” para o termo grego. Com isso, entendemos que ele apóia o entendimento de geração em “monogenes”. Por isso, não é de se espantar que ele considere a leitura da NIV (God the One and Only) como uma “fraude piedosa”.

Como nota-se, para a Velha Ortodoxia, as evidências são claras e em maior peso: A leitura Filho Unigênito é a original, enquanto, “Deus Unigênito” é uma alteração possivelmente gnóstica. Sem contar que, no que se refere a quantidade de evidência (que para eles é fundamental) há incomparável vantagem.

Também devemos atentar para o lembrete de Scrivener sobre esse texto: “Aqueles que irão recorrer exclusivamente a evidências antigas para a recensão do texto, provavelmente ficarão perplexos lidando com essa passagem. Os mais velhos manuscritos, versões e escritores estão desesperadamente divididos[11]”. Essa consideração é importante especialmente para aqueles que consideram a data como fator predominante para a tomada de decisão.

B. Nova Escola

A Nova Escola é o nome normalmente atribuído ao movimento teológico não necessariamente cristão. Liberais, agnósticos e ateus podem defender suas “novas” idéias de “releitura” das escrituras do ponto de vista histórico. Trata-se de Teologia, pois no estudo ainda fala-se sobre Deus, entretanto Ele não é o foco nesse estudo. Entre esses, Bart Ehrman tem-se mostrado influente. Em seu livro The Orthodox Corruption of the Scripture, Ehrman se propõe a demonstrar como os ortodoxos do passado alteraram o NT para que ele defendesse o que eles entendiam por ortodoxia.

Para ele, Jo.1.18 é um claro exemplo disso: Os cristãos ortodoxos alteraram a leitura original “Filho Unigênito” para defender a divindade do Logos. Nas palavras de Ehrman:

A leitura variante da tradição Alexandrina, que substitui ‘Filho’ por ‘Deus’, representa uma corrupção ortodoxa, onde a completa divindade do Filho é afirmada: O único Deus que está no seio de Deus, esse o fez conhecido[12]

Na posição completamente oposta da Velha Ortodoxia, Ehrman acaba por concordar com ela nesse verso, pois ambos suportam que “Filho unigênito” é a leitura original. O que me fascina é que a razão pela qual ele opta por essa leitura: A defesa da divindade de Cristo. Como agnóstico, Ehrman não tem qualquer compromisso em defender a Fé Ortodoxa, e por isso supõe que  uma declaração tão estampada da divindade de Cristo só pode ser uma fraude.

Do ponto de vista das evidências externas, Ehrman reconhece que os críticos normalmente tem suas preferência pelos leitura Alexandrina nesse texto, até por que os principais unciais (א , B, C) e os mais antigos documentos (P66 e P75) favorecem essa leitura. Entretanto, para ele, nesse caso seria um erro entender que as evidências externas como obrigatórias.

Do ponto das evidências internas, ele chega a dizer:

“O problema mais comum para aqueles que optam por [oJ] μονογενής θεός, mas que reconhecem que isso deve ser traduzido como ‘o único Deus’, é que isso é virtualmente impossível no contexto joanino, é como se entendesse o adjetivo substantivamente, e construir a segunda parte intera de João 1.18 como uma série de aposições[13]

Por isso, a conclusão de Ehrman é:

“O resultado de assumir o termo μονογενής θεός como dois substantivos estando em aposição produz uma sintaxe quase impossível, enquanto que a construção do relacionamento entre elas não produz sentido algum[14]”.

C. Ortodoxia Eclético-Racional

No que se refere ao cristicismo no NT, há uma escola chamado ecleticismo racional, que defende que cada caso é um caso a ser analisado individualmente. Normalmente são favorávesis ao Texto Crítico (TC) e normalmente favoráveis às alexandrinas, por sua antiguidade e qualidade do material. Entre esses, existem os cristão verdadeiros que adotam esse modo de crítica e defendem suas posições com a preocupação de compreender e defender a fé.

Esses, em oposição à Velha Ortodoxia e à Nova Escola, defendem que a leitura “Deus Unigênito” é a leitura original e que, como essa expressão não acontece em nenhum lugar no NT foi harmonizada com tantas outras que trazem “Filho Unigênito” (Jo.3.16, 18; 1Jo.4.19). Nesse caso, tanto a leitura original (Deus) como a variante (Filho) teria sido produzida por cristãos.

A.T. Robertson defende essa opinião:

“Os melhores manuscritos antigos (Aleph, B, C, L) lêem monogenes theós (Deus Unigênito) que indubitavelmente é a leitura verdadeira do texto. Provavelmente algum escriba teria alterado para ‘ho monogenes huiós’ para suavizar a crua declaração da deidade de Cristo e para harmonizar com Jo.3.16[15]

Entretanto, o modo como se traduz o texto com essa variante é foco de constante ataque. Tanto Ehrman, quanto Pickering tem suas opiniões sobre a impossibilidade de que a fraseologia “μονογενής θεός” seja de fato joanina. Ou seja, os que adotam essa leitura ainda têm apresentar de modo claro e convincente sua defesa gramatical para que essa leitura possa ser aceita. Para quem está nessa posição, tem obrigação dobrada: além do dilema textual, tem que entrar em um debate gramatical.

*             *             *

O que se pode dizer até aqui é que, independente da leitura adotada, teólogos liberais, agnósticos e cristãos tem sua opinião sobre o que aconteceu com o texto. Mais interessante do que isso é os motivos estampados na defesa da Velha Ortodoxia e da Nova Escola são antagônicos: o primeiro rejeita a leitura com “θεός” por que é uma corrupção aparentemente gnóstica, enquanto o segundo a rejeita por ser uma leitura muito ortodoxa.

A verdade é que o consenso nesse texto é: esse é um dilema de difícil resolução. Por essa razão, vamos observar as evidências para considerar qual das opiniões supracitadas parece mais adequada.

3. Análise das Evidências

A. Evidências Externas

A análise da evidência externa nesse tem diversos dilemas, e à medida que observamos as evidências e as informações disponíveis ao autor, vamos tentar tratar desses dilemas com cautela.

DATA

No que se refere a data das leituras variantes, as diferentes escolas tem apresentado sua opinião. Alguns ortodoxos ecleticistas têm suas preferências para a leitura com θεὸς em função da descoberta de dois papiros do segundo século que trazem essa leitura. Bruce Metzger defende essa opinião: “Com a aquisição de P66[≈200 d.C] e P75 [início do terceiro século], ambos leem θεός , o suporte externo a essa leitura foi notavelmente fortalecida[16]”. Kostenberger and Swain demonstram mesma opinião: “Com a aquisição de P66 e P75, em que ambas lêem μονογενς θες, a preponderancia da evidência agora nos leva em direção da última leitura [μονογενς θες[17]”.

Entretanto, Pickering defende P75 tem uma leitura conflada[18]. A leitura que P75 traz é “ μονογενς θες” e Pickering entende que ela é resultado da leitura das outras duas leituras possíveis para o texto: “μονογενςθες” e “ μονογενς υἱὸς”. Em outras palavras, como “μονογενὴς” é um adjetivo (para ele) e não é modificado por artigo, algum copista deve ter adaptado a leitura das duas leituras para produzir a leitura de P75. Se Pickering está certo, ambas as leituras são atestadas com mesma antiguidade.

Já Ehrman entende que P66 e P75 não são tão significativos para a crítica textual nesse verso. Segundo ele, a descoberta dessas duas testemunhas fez pouco para a consideração das evidências documentais, e não fez “nada para alterar o quadro[19]” da crítica nesse verso, pois eles acabaram por demonstrar algo que já era conhecido pelos críticos: documentos do segundo (Diatessaron), ou terceiro século (Orígenes, Versões Copta Boárica) já traziam essa leitura.

Essa argumentação em favor da antiguidade da data de ambas as leituras é percebida pelas citações dos pais da Igreja: Herácleto, Ptolomeu, Irineu, Clemente e Orígenes já no segundo e terceiro século usavam a leitura com “Deus”; enquanto Teódoto, Tertuliano, Hipólito, Irineu, Clemente e Orígenes citavam a leitura com “Filho”. O fato de que o mesmo Pai da Igreja tenha citado as duas possibilidades nos faz pensar no contexto em que teriam usado, ou qual das leituras teriam apoiado. Porém, neste, ressaltaremos apenas o caráter cronológico das evidências. Ou seja, seja qual for a leitura que Irineu, Clemente ou Orígenes tenham preferência, o fato é que ambas as leituras estavam disponíveis desde a segunda metade do segundo século. Portanto, podemos dizer que, do ponto de vista da idade da leitura, ambas parecem consistentemente conhecidas já no segundo século.

Contudo, temos que ter alguma reserva quanto a objeção de Ehrman sobre P66 e P75. Muito embora outros cristãos ortodoxos concordem com ele (cf. Brian Write), em termos de atestação documental, o P66 é o mais antigo manuscrito nessa disputa. Ainda que os pais da igreja, nesse mesmo período, já conhecessem ambas as leituras, P66 acresce valor documental à análise. Enquanto um pai da Igreja poderia aludir um texto, ou citá-lo de memória e com isso apresentar um texto longe de sua forma original, ou até mesmo disponível ao autor, um Papiro tem sua leitura claramente apresentada. Ou seja, para que P66 não tenha valor nessa discussão tem que se assumir que P66 é uma fraude nesse verso, o que não parece o caso (como demonstraremos com mais detalhes).

Ou seja, do ponto de vista documental, parece mais plausível que a leitura predominantemente alexandrina, “μονογενὴς θεός”, seja a mais primitiva das leituras.

TIPO-TEXTO e GEOGRAFIA

Outro dilema para esse texto é que os defensores da leitura “ μονογενς υἱὸς” afirmam que a leitura com “θεός” não é consistente fora da tradição alexandrina. Pickering defende que a leitura com “θεός” tem origem no Egito. Ehman defende que todas as famílias de texto (Ocidental, Bizantina e Cesarena) estão coesas na defesa da leitura de “Filho” enquanto a variante com “Deus” parece isolada na família alexandrina.

Sobre a tradição alexandrina nesse verso, não há dúvidas que o arquétipo textual é a leitura com “θεός”, e não conheço alguém que ousasse discordar dessa opinião: Os mais antigos papiros (P66 e P75) e o mais antigo uncial (B) suportam essa leitura. Entretanto, a pergunta que cabe aqui é: Essa leitura é exclusivamente alexandrina?

Que a maioria dos manuscritos seguem a tradição bizantina, não há qualquer dúvida. Que a leitura bizantina (Filho) é atestada com mais solidez nas diferentes famílias textuais, também não há qualquer dúvida. A questão que precisa ser melhor analisada é a suposta solidão alexandrina na defesa de “θεός”.

Um dos fatos que parecem ter sido ignorados por Ehrman e Pickering é que o Códice Sinaítico traz a leitura com “θεός”. Em geral, o Sinaítico acompanha a leitura do Códice Vaticano e de P75, e por isso é reconhecido como representante da tradição alexandrina. Contudo, o Sinaítico “também tem uma força definida de leitura do tipo-texto Ocidental[20]”. Gordon Fee, após analisar as evidências do Sinaítico em comparação com outros documentos, chegou a seguinte conclusão: “O Códice Sinaítico é um grande representante grego da tradição textual Ocidental em João 1.1-8.38[21]”. Se Fee está correto em sua análise, o Códice Sinaítico é o mais antigo representante da tradição Ocidental no dilema de Jo.1.18. Isso significa que, é possível que a leitura com “θεός” represente o arquétipo Ocidental.

Essa informação parece colocar as teorias de Ehrman e Pickering sob suspeita. Uma vez que as mais antigas leituras Ocidentais e Alexandrinas estão apontado para a mesma leitura, temos forte evidência de que a forma mais primitiva do texto lia “μονογενὴς θεός”.

Outro fato que nos surpreende na análise das evidências disponíveis é que a Peshita (syrp), que é reconhecida como favorável à tradição bizantina nos evangelhos, apóia a leitura “μονογενὴς θεός”. A versão Georgiana, que normalmente é reconhecida como representante da tradição Cesareana, também concorda com Peshita. O mesmo acontece com as versões copta. Ou seja, as mais antigas versões do NT não fazem menção à leitura com “υἱός”.

Dessa forma, se considerarmos a antiguidade da leitura “μονογενὴς θεός”, e sua atestação geográfica, podemos assumir que é provável que essa tenha sido a leitura seja a forma mais primitiva do texto que dispomos. Se considerarmos a qualidade dos documentos que atestam essa leitura, ela é certamente favorecida. Segue-se que, a conclusão mais plausível até aqui é que “μονογενὴς θεός” é a leitura mais primitiva do texto.

DEBATES TEOLÓGICOS

Alguns acreditam que a leitura “μονογενὴς θεός” teria surgido como uma reação ortodoxa à teologia ariana. Entretanto, tal afirmação não faz o menor sentido, uma vez que, segundo Epifânio, o próprio Ário teria usado essa passagem com essa leitura. Outro detalhe importante é que Ário, como os Testemunha de Jeová, não tem o menor problema em chamar o Logos de Deus. Em uma carta a Eusébio, bispo de Nicomédia, Ário escreveu: “Mas, o que dizemos e pensamos? O que temos dito e ensinado? Que o Filho não é não-gerado ou uma parte do Não-Gerado em nenhuma forma ou substrato, mas que pela vontade e conselho do Pai ele subsiste antes do tempo e das eras, cheio de graça e verdade, Deus, o unigênito, imutável[22]”.

Outro fato que merece atenção, é que, para que essa acusação pudesse ser levada em conta, dever-se-ia comprovar que essa leitura teria surgido no período da controvérsia ariana, entretanto, já se demonstrou que ela é anterior. Isso, sem contar que, alterar o prólogo do evangelho e permitir mais três outras citações da expressão “Filho unigênito” na literatura joanina não faz o menor sentido. Caso um copista almejasse resolver a controvérsia ariana alterando o texto do NT, ele teria feito um péssimo trabalho alterando apenas uma ocorrência de quatro. Esse argumento não faz o menor sentido.

Há ainda, outro argumento para se rejeitar a leitura “μονογενὴς θεός”. Ehrman argumenta que essa variante é fruto de uma alteração ortodoxa anti-adocionista. Uma vez que para Ehrman a leitura com “Filho” lhe parece original, a explicação que ele oferece é que um copista, visando defender a divindade de Cristo alterou o texto[23]. O conceito é o mesmo que o anterior, entretanto, Ehrman é um pouco mais acurado cronologicamente. No segundo século o ebionismo já era conhecido e combatido pelos Pais da Igreja. Tertuliano e Orígenes já teriam escrito sobre eles no fim do segundo século início do terceiro.

Contudo, parece novamente improvável que um copista alterasse o texto justamente essa parte do texto para promover a defesa da divindade de Cristo. Só nos primeiros versos, o Logos já havia sido chamado de pré-existente, criador e Deus. Sem contar que não existe qualquer conotação adocionista na nomenclatura de Filho do Logos. A questão adocionista parece muito mais ligada ao “quando” essa filiação aconteceu do que ao fato de o Logos é Filho.

Ou seja, defender a leitura “μονογενὴς θεός” como uma alteração ortodoxa do texto para validar a divindade de Cristo em Jo.1.18, não parece aceitável.

PARECER PESSOAL

Em resumo às considerações levantadas acima, podemos dizer que:

  1. Ambas as leituras eram conhecidas no segundo século, considerando apenas que do ponto de vista documental, P66 traz relativa vantagem à leitura “μονογενὴς θεός”.
  2. No que se refere à distribuição geográfica há incontestável vantagem da leitura “ὁ μονογενὴς υἱὸς”, entretanto, as mais primitivas fontes que dispomos apontam para “μονογενὴς θεός” e são importantes representantes do tipo texto Ocidental (Sinaítico), Bizantino (Peshita) e Cesareana (Geo2).
  3. Do ponto de vista da qualidade documental, “μονογενὴς θεός” é claramente favorecida.
  4. Em relação aos ataques de corrupção ortodoxa, seja para combater o arianismo ou o adocionismo, a argumentação é primária e inconsistente e não minimiza a leitura “μονογενὴς θεός” em nenhum sentido.
  5. Portanto, ainda que as evidências externas não possam definir a questão, é bem provável que a leitura “μονογενὴς θεός” seja a melhor leitura para o texto.

B. Evidências Internas

Da mesma forma que a análise das evidências externas, na análise das evidências internas vamos observar que a interpretação textual move-se para ambas as leituras. Aliás, a leitura que pareceu favorável nas evidências externas, é atacada com mais intensidade aqui. E à semelhança da análise já realizada, aqui trataremos dos dilemas à medida que conhecemos os argumentos de cada lado da disputa.

CONSISTÊNCIA DA LEITURA

O principal argumento contra a leitura “μονογενὴς θεός” é que ela parece inconsistente com a literatura joanina. Do ponto de vista da estatística, na literatura joanina μονογενὴς refere-se exclusivamente ao Filho (Jo.1.14; 3.16, 18; 1Jo.4.19). No Novo Testamento, à exceção de uma passagem (Hb.11.17), todos os usos de μονογενὴς  fazem referência a um filho que é único (Lc.7.12; 8.42; 9.38).

O segundo argumento é que a frase “μονογενὴς θεός“ não é encontrada em nenhum outro lugar no Novo Testamento e é estranha a ele. O fato de que há relativo silencio neotestamentário para essa terminologia, faz com que os defensores da leitura com Filho defendam sua inconsistência. Outro detalhe que acresce-se a esse é que é muito incomum uma declaração à divindade de Cristo tão clara no NT.  Ou seja, existe um “quase” silêncio teológico clarividente no NT que pudesse suportar essa visão.

O terceiro argumento atesta que, do ponto de vista do estilo, a leitura com Filho parece mais natural ao texto, uma vez que o termo Deus é usado no início e o termo Pai no final. Em outras palavras, supõe-se que a repetição do termo “Deus” seria um inconveniente sintático para o texto e por isso uma construção relativamente difícil para João.

Entretanto, no que se refere à consistência da leitura, os dois primeiros argumentos desfavoráveis à “μονογενὴς θεός” não parecem consistentes. Muito embora exista razão e lógica nos argumentos, ele não é consistente. Vamos tomar o primeiro argumento como exemplo. Se a consistência com o autor é fator decisivo, alguém poderia alegar que Jo.5.4 poderia ser consistente com a terminologia joanina, pois não apenas a construção é similar como usa termos recorrentes. Entretanto, as evidências externas nesse caso são completamente desfavoráveis ao verso. Ou seja, a validade do argumento é dependente da soma das análises. Contudo, o mais importante a ser dito sobre essa argumentação é que ela exclui a possibilidade de uma expressão ocorrer uma única só vez no NT.

Sobre o segundo argumento é importante que se diga que João tem diversas expressões fundamentais para a Teologia Cristã que não são encontradas em nenhum outro lugar no NT. Por exemplo, João é o único que descreve Jesus Cristo como Logos eterno, pré-existente e divino (Jo.1.1), como único em espécie (Jo.1.14 –monogenes absoluto), como Logos encarnado (Jo.1.14). Em termos de proporção, parece que João está inovando sob muitos aspectos em sua apresentação da divindade. Se considerarmos válido o segundo argumento, teríamos que suspeitar de todo o prólogo, o que muitos teólogos já tem feito mesmo sem qualquer evidência textual para suportar suas convicções. Muito embora o argumento pareça sólido, mais uma vez ele é erigido sob uma frágil argumentação.

O mais audaz dos argumentos é o terceiro. Segundo os defensores da Velha Ortodoxia (Pickering, José Pedro M. de Almeida), do ponto de vista do estilo, a leitura mais natural seria o Filho: “A prova mais óbvia está no próprio verso! Quem é que está no seio do Pai (patros)? É claro que é o Filho (huios)! Esta é a única e simples explicação[24]”. Entretanto, deve-se notar que o termo Filho não é usado nenhuma vez no prólogo, ao passo que tanto μονογενὴς como θεός já teriam sido apresentados. Porém, é bem verdade que o uso de “Pai” na seqüência parece supor o uso de “Filho” antes, exceto que, se João tivesse usado uma segunda vez o termo θεός, usá-lo uma terceira vez seria uma grande redundância. Portanto, no que se refere à consistência da variante, os argumentos normalmente apresentados não são consistente. Ao contrário, favorecem à leitura de θεός.

Uma das convicções que sem tem obtido no estudo da crítica textual é que os copistas tinham certa tendência para facilitar um texto ao invés de complicá-lo. Também era comum que eles tentassem harmonizar passagens para que fossem sinérgicas. No caso de Jo.1.18, se considerarmos a leitura com θεός  a leitura original, não era difícil que alguém ousasse facilitar a leitura por substituí-lo por υἱός. Se o motivo não fosse o facilitar a leitura do texto, certamente poderia ter sido uma questão de harmonização com a terminologia do autor. Essa observação é importante, pois nos auxilia a compreender qual das leituras parece ser responsável pela outras. Sobre isso, Metzger tem uma opinião interessante:

“A leitura μονογενὴς υἱός, que é indubitavelmente mais fácil que μονογενὴς θεός, é resultado de uma assimilação escribal a Jo.3.16,8; 1Jo.4.9. O uso anartro de θεός (cf. 1.1) parece ser o mais primitivo. Não há razão para que o artigo fosse deletado, e quando υἱός suplantou θεός,ele certamente foi adicionado. A menor leitura, ὁ μονογενής, enquanto é atrativa por causa de considerações internas, é muito pobremente atestada para ser aceito como texto[25]

Diante das considerações de Metzger, observa-se que a leitura favorecida é consistente com as possibilidades de transcrição histórica do texto. Diante disso, podemos assumir que μονογενὴς θεός é a leitura mais provável do ponto de vista da transcrição histórica. Contudo, isso não a torna imediatamente mais consiste com o contexto.

Sobre a consistência com o contexto, é importante lembrar-se da opinião de A.T. Robertson:

“O escrito já havia dito em 1.1 que o Verbo era Deus e no 1.14 que o Verbo se fez carne. Agora ele combina as duas idéias no texto correto de 1.18: ‘Deus-unigênito’. Somente o Deus-homem poderia revelar a Deus completamente ao homem. Ele é Deus e Homem, e pode e atua como intérprete de Deus para o homem[26]

É interessante que no clímax do prólogo, João combine duas idéias chocantes já apresentadas para concluir o que tem a dizer. Se isso é tomado como verdadeiro, nota-se grande coesão estrutural no pensamento joanino[27]. Aliás, Martin Vincent parece defender exatamente isso:

“A última leitura [μονογενὴς θεός ] meramente combina em uma frase dois atributos do verbo já indicados – Deus (v.1) e unigênito (v.14)’; o sentido é o ser único que é tanto Deus como Unigênito[28]

Vale a pena ressaltar que, tanto no verso 1 (θεός), como no verso 14 (μονογενὴς), encontramos as declarações desacompanhadas de artigo, o que parece favorecer a leitura μονογενὴς θεός. Ou seja, do ponto de vista da consistência da análise interna, a leitura majoritariamente alexandrina é claramente favorecida.

PROBLEMAS TEOLÓGICOS

No que se refere a problemas teológicos, os adeptos da leitura com “θεός” parecem não identificar qualquer problema com qualquer uma das variantes. Harris, que tem preferência por “θεός” em função de sua antiguidade e dificuldade, diz que “de modo geral, eu não acredito que nenhuma das leituras altera de modo sério o sentido do texto[29]”.

Entretanto, os defensores da leitura “υἱός”, insistem que a leitura variante não é possível, pois introduz problemas teológicos sérios. Estranhamente, Ehrman é um desses que entende que existe um problema teológico na leitura com “θεός”. Muito embora isso não fizesse qualquer diferença para o autor (exceto para sua defesa de corrupção ortodoxa), Ehrman alega que Jesus só poderia ser o único Deus, se não houvesse outro Deus, o que o contexto imediato já rejeita: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio doPai, é quem o revelou”. Essa argumentação é bem similar à aquela que os defensores da Velha Ortodoxia apresentam.

Entretanto, para Pickering, acredita que o texto traz ainda um problema mais grave: “se Cristo recebeu sua divindade no processo de geração, então não pode ser a eternamente preexistente Segunda Pessoa da Trindade”. Ou seja, Pickering, embora concorde com a leitura sugeria por Ehrman, não pode concordar com a tese de Ehrman. Em parte, Pickering está dizendo que existe um conceito de geração na expressão e se a divindade de Cristo está em sua geração, então um sério problema teológico é auferido. Por outro lado, ele concorda com a possibilidade de que “υἱός”, como texto original, é uma defesa teológica ao adocionismo (!).

Normalmente, a Velha Ortodoxia sugere que a leitura “θεός” é uma forma de influência gnóstica no texto, como se existissem diversas divindades: Deus, o Deus unigênito, o Pai, o Logos. José Pedro de Almeida, um desses defensores zelosos da Velha Ortodoxia, diz:

Por não crerem na pre-existência do Filho [os gnósticos], eles não criam na divindade do Filho, e nem mesmo na encarnação do Filho, eles sutilmente mudaram o texto de modo a acomodar suas heresias. Eles criam na doutrina dos deuses intermediários. Jesus Cristo para eles não era Deus, mas um “deus” intermediário com “d” minúsculo. Note que esses desonestos se aproveitavam do fato de que, nos manuscritos antigos, todas as letras eram do mesmo tamanho. Esse é o motivo pelo qual eles substituíram a palavra “Filho” (huios) pela palavra “deus” (theos)[30]

A acusação é séria: hereges alteraram o texto para acomodar suas convicções teológicas, como se fossem aceitas pelas escrituras. Para o autor, a “substituição” de Filho para Deus era uma expressão da não pré-existência do Filho, da não divindade do Filho ou da encarnação.

Tendo considerado isso, temos que admitir que, à exceção de Ehrman, os cristãos zelosos da Velha Ortodoxia demonstram sua preocupação com a contaminação das escrituras. Entretanto, os seus argumentos não passam de uma opção zelosa. Em resposta a Almeida gostaria de apresentar três pontos de atenção:

  1. Se um gnóstico escriba responsável pela reprodução do texto das escrituras quisesse retirar a pré-existência de Cristo das escrituras, eu teria alterado o tempo verbal nos verbos do primeiro verso de João: “No princípio está o Verbo, e o Verbo está com Deus e é Deus”. Acho que faria mais sentido fazer isso aqui, mas isso jamais aconteceu. Tê-lo feito em Jo.1.18 não teria ajudado muito.
  2. Se um gnóstico escriba quisesse negar a encarnação do Verbo, teria alterado o verso 14: “E o Verbo [não] se fez carne, [mas] habitou entre nós”. Mas, isso nunca aconteceu. Se o suposto escriba houvesse feito isso apenas em 1.18, teria feito um péssimo trabalho.
  3. Agora, vamos atentar a última acusação: O motivo da “alteração” era desacreditar a divindade do Filho. Isso não faz o menor sentido uma vez que na leitura variante Jesus teria sido chamado de Deus Unigênito. Segundo esse texto quem é o Deus Unigênito? Aquele que está no seio do Pai. O uso de Unigênito em João é normalmente atribuído a quem? A Jesus Cristo (Jo.1.14; 3.16, 18; 1Jo.4.9). A mais lógica conclusão a se retirar desse texto, se apenas lido, é que João está a realçar a Divindade de Cristo. Se a questão gnóstica realmente fosse rejeitar a divindade de Cristo, era mais fácil acrescer ou retirar informações do verso 1. Mas, isso também não aconteceu.

Já Pickering, parece não ter atentado muito bem para o termo “μονογενὴς”. Para ele, esse termo deve ser diferente de “μονος” (único) e no NT não existem evidências para que se entenda “μονογενὴς” com essa idéia. Contudo, o uso do termo em Hb.11.17 deveria tê-lo feito pensar nessa concusão: “Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas”. O texto diz que Isaque era o unigênito de Abraão, entretanto, ele não era o único filho gerado de Abraão: Ele era o Filho mais Amado de Abraão. Em Gênesis temos exatamente essa visão: “Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (22.2). O termo hebraico para descrever Isaque como único filho é o termo “Yachiyd” que é traduzido na Septuaginta por “agapetós” (o amado de modo especial). Não é à toa que Rudolf Bultmann defende que “a designação [de monogenes] deverá ser compreendida como predicado de valor no sentido de ‘amado acima de tudo’ de acordo com o uso lingüístico da LXX[31]”. Ou seja, “μονογενὴς[32]” não é usado apenas com o sentido de geração como parece sugerir Pickering[33], mas com sentido de único, especial, amado. Portanto, a dificuldade apresentada por ele não parece válida.

Contudo, Ehrman entende o termo dentro de um escopo mais abrangente e o define como “único”, assim como tenho defendido. Sobre isso, ele diz: “Por definição pode apenas existir um μονογενὴς: a palavra significa ‘único’, ‘único em sua espécie’. O problema, é claro, é que Jesus poderia ser o único Deus apenas se não houvesse outro Deus; mas no quarto evangelho, o Pai é Deus da mesma forma[34]”. Entretanto, Ehrman parece não usar o conceito de sua própria definição adequadamente. Se o termo significa “único em sua espécie”, não há qualquer dificuldade de compreensão: O Logos, como único em sua espécie, amado de modo especial é o único que poderia tornar Deus conhecido em sua essência, como Jo.1.18 parece estar a ensinar. Portanto, a ênfase recai sobre sua SINGULARIDADE (ninguém é como Ele) e não sobre sua EXCLUSIVIDADE (não há mais ninguém).

PARECER PESSOAL

A mim me parece que as argumentações em descrédito da variante preferida na análise de evidências externas não são consistentes, e minha preferências pela leitura “μονογενὴς θεός” parece bem evidente a essa altura. No que se refere consistência, tenho a impressão que essa leitura é mais consistente. No que se refere às possibilidades de transcrição, entendo que essa justifica mais adequadamente o surgimento das outras, sem contar que teologicamente, “μονογενὴς θεός” é certamente a leitura mais difícil. Assim, tenho acredito que essa leitura é, muito provavelmente, a leitura original desse verso.

Conclusão

Se as análises realizadas nesse estudo são verdadeiras, a Cristologia Testemunha de Jeová não poderia sustentar-se. É interessante notar que em todas as facetas dessa disputa textual, os teólogos reconhecem que o texto com “μονογενὴς θεός” poderia reforçar a divindade de Cristo. Aliás, para Ehrman isso é tão evidente que ele tem que supor que isso é uma corrupção da ortodoxia posterior ao texto.

Contudo, é de se admirar que a Tradução do Novo Mundo use exatamente essa leitura em suas traduções. Eu tenho a impressão que com o passar do tempo, eles deixarão essa leitura variante e passarão a adotar a outra, em funções teológicas. Os unicistas supostamentes bíblicos já fizeram isso (cf. John 1.18). Contudo, compreendendo o dilema teológico por traz dessa expressão, os tradutores mau intencionados usaram letras minúsculas para descrever o Logos: “o deus unigênito”. Para manter a malfadada teologia TJ, não alteraram o texto aqui, apenas o verteram com sua teologia exposta. Longe de ser um fraude piedosa, essa alteração é uma perversão descarada da verdade do texto que eles se propuseram a traduzir.

 

Artigo escrito por Marcelo Berti e publicado no Teologando sob o título O que dizer do problema textual de Jo.1.18 e gentilmente cedido ao blog Testemunha de Cristo.


[1] Exceto se você for defensor do TR (Filho unigênito) ou da TNM (deus unigênito), pois para ambos as decisões já estão tomadas e consideradas como certas, mesmo que cada um esteja em um dos lados desse dilema (alguém continua errado).

[2] WRITE, Brian, Jesus as Theós (God): A textual examinaition. (Bible.org).

[3] Exceto para a Cristologia Testemunha de Jeová, que se desfaz caso a leitura “monogenes theós” seja verdadeira.

[4] VINCENT, Martin, Vincent`s Word Studies. Vol.2 (Quickverse).

[5] HARIS, W.H., Prologue (John 1.1-18). (Bible.org)

[6] À esquerda, Codex Sinaítico do site Bible Researcher, por Michael Marlowe: Only Begoten Son or God?; à direita, Codex Washingtonensis adaptado de The Center for Study of New Testament Manuscript. Para ver o original, clique aqui.

[7] Informações retiradas do site www.laparola.net.

[8] Para ver como um cristão da Velha Ortodoxia se posiciona ante ao dilema de Jo.1.18, leia o artigo: Quem está mentindo em Jo.1.18?. Para ler meu posicionamento sobre esse artigo, leia: Xiitismo Textual.

[9] Seu livro pode ser baixado gratuitamente na internet: Clique aqui.

[10] PICKERING, Wilbur, Qual é o texto do Novo Testamento. Pp.209.

[11] Scrivener, Introduction to the Criticism of the New Testament. pp.525. IN: ROBERTSON, A.T., Word Pictures in the New Testament. (Quickverse).

[12] EHRMAN, Bart, Orthodox Corruption of the Scripture. pp.78

[13] Idem, pp.81.

[14] Idem, Ibid.

[15] ROBERTSON, A.T., Word Pictures in the New Testament. (Quickverse).

[16] METZGER, Bruce, A textual Commentary on the Greek New Testament. pp.198.

[17] Kostenberger, Swain, Father, Son and Spirit. pp.78 IN: WRITE, Brian, Jesus as Theós (God): A textual examinaition. (Bible.org)

[18] PICKERING, Wilbur, Qual o texto do Novo Testamento? pp.209.

[19] EHRMAN, Bart, Orthodox Corruption of the Scripture. pp.79

[20] METZGER, Bruce, The Text of the New Testament. pp.46.

[21] FEE, Gordon, Studies in the Theory and Method of New Testament Textual Criticism. pp.243

[22] RUSH, William, The Trinitarian Controversy. pp.29-30 IN: WRITE, Brian, Jesus as Theós (God): A textual examinaition. (Bible.org)

[23] EHRMAN, Bart, Orthodox Corruption of the Scripture. pp.78-82

[24] ALMEIDA, José Pedro de, Quem está mentindo em Jo.1.18: É “Deus Unigênito” ou “Filho Unigênito”.

[25] METZGER, Bruce, A textual Commentary on the Greek New Testament. pp.198.

[26] ROBERTSON, A.T., The Divinity of Christ in the Gospel of John. pp.45. Veja Também: ROBERTSON, A.T., Word Pictures in the New Testament. (Quickverse); e BLUM, Edwin A., The Bible Knolodge Commentary: John. (Quickverse).

[27] JAMIESSON, FAUSSET, BROWN, New Commentary on the Whole Bible. (Quickverse)

[28] VINCENT, Martin, Vincent`s Word Studies. Vol.2 (Quickverse).

[29] HARIS, W.H., Prologue (John 1.1-18). (Bible.org)

[30] ALMEIDA, José Pedro de, Quem está mentindo em Jo.1.18: É “Deus Unigênito” ou “Filho Unigênito”.

[31] BULTMANN, Rudolf, Teologia do Novo Testamento. Teológica:2004, pp.465.

[32] Como título Cristológico, “μονογενὴς” assemelhasse a “ἀγαπητός” em sua aplicação. Isso é também percebido pelo fato de que os autores dos evangelhos sinóticos utilizarem “ἀγαπητός” como o título cristológico (Mt.3.17; 12.18; 17.5; Mc.1.11; 9.7; 3.22).

[33] Veja também o artigo: BERTI, Marcelo, O uso de monogenes em referência a Cristo. O debate semântico de monogenes repousa na construção do termo. Três possibilidades são reconhecidas:

(1) monos e gennao: nesse caso monogenes deveria ser entendido como único gerado, uma vez que genao significa gerar (Friberg Lexicon). Caso essa opção fosse válida, o termo deveria ser monogennes, com o acréscimo de um “n”;

(2) monos e gnomai: nessa forma o termo deveria ser entendido único nascido (Liddel-Scot, Strong`s); Contudo, não há qualquer uso no NT ou LXX que pareça justificar essa posição. Nem mesmo a estrutura do termo parece indicar essa opção.

(3) monos e genós: se essa possibilidade está certa, a tradução seria único em espécie, uma vez que genós descreve classe, espécie (BDAG, Thayer`s, Louw-Nida, DITNT)

[34] EHRMAN, Bart, Orthodox Corruption of the Scripture. pp.80.