Jesus afirmou ser Deus?

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28,  O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. Deve-se crer na Trindade, pp.20.


É verdade que o conceito da Bíblia é claro e que não devemos colocar ou tirar qualquer coisa dela. Também é verdade que apenas a palavra de Deus é verdadeira e suficiente de fato para falar a verdade. Por isso, é sempre importante voltarmos às escrituras para conhecer o que ela ensina, afinal, esse é o propósito desse blog: apresentar o que a Bíblia realmente ensina sobre Jesus Cristo.

O que Bíblia Realmente Ensina?

Como vemos no livro Deve-se crer na Trindade, o autor tem plena convicção de que Jesus jamais foi chamado de Deus nas escrituras e que Ele mesmo nunca afirmou ser Deus. Mas, será isso verdadeiro? É verdade que a Bíblia nunca chamou Jesus de Deus? E Jesus, nada falou sobre o assunto?

Nesse breve post vamos investigar essas questões, com o objetivo de apresentar o que a Bíblia realmente ensina sobre Jesus.

 

 

1. O que as obras de Jesus testemunham a seu respeito?

Muitas das obras realizadas por Jesus Cristo enquanto estava na terra foram repetidas pelos seu seguidos, como por exemplo alguns dos seus milagres. Até mesmo Ele garantiu que seus seguidores fariam ainda coisas maiores do que Ele fez: “Digo-vos em toda a verdade: Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço; e ele fará obras maiores do que estas, porque eu vou embora para o Pai” (João 14.12).

Diante disso, alguém poderia concluir que as obras de Cristo não são tão especiais, afinal seus seguidores poderiam fazer coisas maiores do que Ele mesmo fez. Contudo, tal conclusão está equivocada! No mesmo texto, ou melhor, no verso anterior encontramos a seguinte expressão: “Acreditai-me que estou em união com o Pai e que o Pai está em união comigo; senão, acreditai por causa das próprias obras” (João .14.11). As obras realizadas por Cristo tinham por propósito apresentar a unidade entre o Pai e o Filho e o Filho com o Pai.  Entretanto, não devemos pensar nessa união apenas de propósito, afinal, Jesus claramente testemunho que suas obras testemunham que Deus está nele: “crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai” (João 10.38).

Diante das próprias palavras de Cristo, suas obras servem para testemunhar sua unidade com o Pai. Mas, será que Suas obras podem falar um pouco mais do que isso? Para responder a isso João nos avisa: “De certo, Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo. Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome” (João 20.30-31). Nesses versos João nos ensina que as obras (sinais – milagres) servem para demonstrar que Jesus é o Cristo, ou seja, o Messias prometido nas escrituras Hebraicas, e que Ele também é o Filho de Deus enviado a terra pelo Pai para realizar Sua Vontade.

Entretanto, devemos dizer que podemos conhecer ainda mais de Jesus Cristo ao analisar sua obra, e por isso chamo sua atenção para três ocasiões do seu ministério que testemunham ainda mais sobre ele.

 

A. Jesus tem poder de ressuscitar mortos

As Escrituras Hebraicas tinham deixado claro que apenas Jeová Deus tinha poder para dar ou devolver a vida, observe:

Vede agora que eu — eu é que o sou, E não há [outros] deuses comigo. Eu entrego à morte e eu vivifico. Feri seriamente, e eu — eu vou curar, E não há quem arrebata da minha mão – Deuteronômio 32.39

Jeová é Quem faz morrer e Quem preserva a vida, Quem faz descer ao Seol, e Ele faz subir – 1 Samuel 2.6

Acaso sou Deus, para entregar à morte e para preservar vivo? – 2 Reis 5.7

As Sagradas Escrituras Gregas, do mesmo modo, atestam que apenas Jeová Deus tem esse poder:

Por que se julga incrível entre vós que Deus levante os mortos? – Atos 26.8

Isto se deu à vista Daquele em quem tinha fé, sim, de Deus, que vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se fossem – Romanos 4.17

Entretanto, é interessante que  Jesus Cristo no seu ministério manifestou tal característica algumas vezes. Vamos lembrar alguns desses casos:

E, ao ter dito estas coisas, clamou com voz alta: “Lázaro, vem para fora!” O [homem] que estivera morto saiu com os pés e as mãos amarrados com faixas, e o seu semblante enrolado num pano. Jesus disse-lhes: “Soltai-o e deixai-o ir.” – João 11.43-44

Ao se aproximar do portão da cidade, ora, eis que um morto estava sendo carregado para fora, o filho unigênito de sua mãe. Além disso, ela era viúva. Acompanhava-a também uma multidão considerável da cidade. E, avistando-a o Senhor, teve pena dela e disse-lhe: “Pára de chorar.” Com isso se aproximou e tocou no esquife, e os portadores ficaram parados, e ele disse: “Jovem, eu te digo: Levanta-te!” E o morto sentou-se e principiou a falar, e ele o entregou à sua mãe – Lucas 7.12-15

Enquanto ainda falava, chegou certo representante do presidente da sinagoga, dizendo: “A tua filha morreu; não incomodes mais o instrutor.” Ouvindo isso, Jesus respondeu-lhe: “Não temas, apenas exerce fé, e ela será salva.” Chegando à casa, não deixou ninguém entrar com ele, exceto Pedro, e João, e Tiago, e o pai e a mãe da menina. E todos choravam e se batiam de pesar por ela. De modo que ele disse: “Parai de chorar, pois ela não está morta, mas dorme.” Começaram então a rir-se dele desdenhosamente, porque sabiam que ela havia morrido. Mas ele a tomou pela mão e chamou, dizendo: “Menina, levanta-te!” E voltou-lhe o espírito e ela se levantou instantaneamente, e ele ordenou que se lhe desse algo para comer – Lucas 8.49-55

Diante dessas histórias devemos admitir que Jesus era de fato especial, mas seria isso uma forma de Jesus dizer quer Ele era Deus? Seria correto dizer que Jesus, por fazer o que apenas Jeová pode fazer o torna igual a Deus? Muitas pessoas acreditam que não, até por que Jesus não foi o único que ressuscitou pessoas. AS Escrituras Hebraicas contam a história de Elias que também trouxe à vida o filho de uma mulher viúva:

“Elias tomou então o menino e o levou do quarto de terraço para baixo à casa, e o entregou à sua mãe; e Elias disse então: “Vê, teu filho está vivo” – 1 Reis 17.23

Contudo, devemos nos perguntar: Elias fez isso por seu poder? A resposta é clara: Certamente não. No mesmo texto Elias faz o seguinte reconhecimento:

“E passou a estender-se três vezes sobre o menino e a clamar a Jeová, e a dizer: “Ó Jeová, meu Deus, por favor, faze a alma deste menino voltar para dentro dele.” Jeová escutou finalmente a voz de Elias, de modo que a alma do menino voltou para dentro dele e este reviveu” – 1 Reis 17.21-22

Na verdade, Elias não trouxe ninguém à vida, mas Jeová Deus o fez. Elias apenas clamou a Jeová para que Ele fizesse o que o profeta não era autorizado e nem tinha poder para realizar. Mas não é isso que vemos com Jesus, afinal, as escrituras dizem que Jesus ressuscitou pessoas. As histórias de Cristo, narradas por seus seguidores e inspirada pelo Espírito Santo, testemunham que Cristo exerceu tal poder. Se encontrássemos apenas essas declarações nas escrituras, já teríamos suficiente evidências para dizer que as obras de Cristo testemunham sua verdadeira divindade. Contudo, o próprio Jesus afirma ter o poder e autoridade exclusivas de Jeová Deus para ressuscitar pessoas:

Porque, assim como o Pai levanta os mortos e os faz viver, assim também o Filho faz viver os que ele quer – João 5.21

Nas palavras de Jesus, Ele mesmo tem o mesmo poder de Jeová Deus, pois do mesmo modo que o Pai ressuscita os mortos, o Filho também o faz a quem quer. Ninguém na história da humanidade poderia dizer isso, pois ninguém pode dar vida a quem quiser. Apenas Jeová Deus tem esse poder, e Jesus clama para si mesmo tal autoridade exclusiva de Jeová Deus. Diante disso, temos por certo que suas obras testemunha sua divindade, e suas palavras claramente a apresentam.

 

B. Jesus tem poder para perdoar pecados

Nas escrituras, o pecado sempre é uma ofensa contra Deus, e Davi nos ensina isso claramente:

Pequei contra ti, somente contra ti, E fiz o que é mau aos teus olhos, A fim de que te mostres justo ao falares, Para que sejas puro ao julgares – Salmos 51.4

Observe que nessa situação Davi está confessando a Jeová seus erros, que incluíam o adultério com Bate-Seba e o assassinato de Urias, o marido dela. Entretanto, quando fala dos seus erros, Davi afirma que pecou contra Jeová. Temos por certo que seus equívocos tiveram grande influência sobre as pessoas e conseqüências pessoais terríveis, mas o que nos chama a atenção é o fato que Davi entende que havia pecado contra Jeová somente. Em outro texto, Davi torna isso ainda mais claro: “Davi disse então a Natã: Pequei contra Jeová” (2Samuel 12.13). O pecado sempre é uma ofensa contra Deus, e por isso, apenas Deus tem autoridade para perdoar pecados, e no caso de Davi, foi exatamente o que aconteceu, pois Jeová o perdoou e não o matou.

Com essa história entendemos que é fato que a única pessoa que poderia perdoar pecados seria aquele que é ofendido. Isso é relativamente simples, e proponho uma ilustração para apresentar o conceito:

Suponha que Alex tenha agredido a Fernando na presença de Marcos. O ofendido nessa situação certamente é o Fernando, e portanto, somente o Fernando pode perdoar. Por outro lado, apenas Alex é culpado da agressão, afinal, Marcos nada fez a Fernando. Ou seja, a única pessoa que deveria pedir perdão seria Alex. Contudo, se Alex pedir perdão para Marcos, nada adiantará, afinal ele não foi ofendido. Da mesma forma, Marcos não pode oferecer perdão a Alex por não ser ele o ofendido. Ou seja, o perdão só pode ser oferecido por Fernando para Alex, e Alex só pode solicitar o perdão a Fernando, a quem ele ofendeu.

Nossa situação com Deus é similar, pois nossos pecados são ofensas realizadas contra Deus. Ou seja, apenas Deus pode oferecer perdão para nossos pecados, pois apenas ele foi ofendido com nossa conduta equivocada. Contudo, Jesus abertamente afirma ter a autoridade de Deus para perdoar pecados:

E [certos] homens vieram trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro. Mas, não podendo levá-lo diretamente a [Jesus], por causa da multidão, removeram o telhado por cima do lugar onde ele estava, e, tendo aberto um buraco, abaixaram a maca em que o paralítico estava deitado. E, quando Jesus viu a fé que tinham, disse ao paralítico: “Filho, teus pecados estão perdoados.” – Marcos 2.3-5

É interessante observar nessa história que a expressão de Jesus não parece conectada a história. Note que quatro homens haviam trazido esse paralítico à presença de Cristo na esperança de que Ele o curasse, já era conhecido entre muitas pessoas que Jesus tinha poder para curar. Entretanto, nesse caso Jesus não olha para o paralítico e diz, como era de se esperar: “Levanta-te e anda“; mas Ele diz que seus pecados estão perdoados.

Não é de se espantar que a multidão que ouvira isso tenha ficado incomodada. Aliás, o evangelista claramente apresenta a opinião daqueles que ouviam:

Ora, alguns dos escribas estavam ali sentados e raciocinavam nos seus corações: “Por que fala este homem dessa maneira? Ele está blasfemando. Quem pode perdoar pecados senão um só, Deus?”  – Marcos 2.6-7

Os ouvintes de Cristo estão tão surpresos como muitos ficam ao ler essa história. Mas, devemos nos perguntar se tal afirmação dos escribas é verdadeira, afinal, os escribas estavam errados em muitos aspectos, especialmente ao que se referia à pessoa de Cristo. Em outras palavras, é verdade que apenas Deus pode perdoar pecados? Vamos ver o que as escrituras ensinam:

Pois contigo há o [verdadeiro] perdão, A fim de que sejas temido – Salmo 130.4

Eu é que sou Aquele que perdoa as tuas transgressões por minha própria causa, e não me lembrarei dos teus pecados – Isaías 43.25

A Jeová, nosso Deus, pertencem as misericórdias e os atos de perdão, pois nós nos rebelamos contra ele – Daniel 9.9

Quem é Deus como tu, perdoando o erro e passando por alto a transgressão do restante da sua herança? Certamente não se aferrará à sua ira para todo o sempre, pois se agrada na benevolência. – Miquéias 7.18

“E não mais ensinarão, cada um ao seu companheiro e cada um ao seu irmão, dizendo: ‘Conhecei a Jeová!’ porque todos eles me conhecerão, desde o menor deles até o maior deles”, é a pronunciação de Jeová. “Porque perdoarei seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado” – Jeremias 31.34

É importante dizer que em nenhum lugar nas escrituras encontramos mais alguém que tenha poder ou autoridade para perdoar pecados, pois essa é uma tarefa exclusiva de Deus. Contudo, Jesus fala abertamente que tem esse poder e autoridade, e desafia seus críticos a avaliarem sua proposição:

Mas, Jesus, tendo discernido imediatamente pelo seu espírito que estavam raciocinando deste modo no íntimo, disse-lhes: “Por que estais raciocinando essas coisas em vossos corações? 9 O que é mais fácil, dizer ao paralítico: ‘Teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, apanha a tua maca e anda’? 10 Mas, a fim de que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” — ele disse ao paralítico: 11 “Eu te digo: Levanta-te, apanha a tua maca e vai para a tua casa.” 12 Com isso, este se levantou e apanhou imediatamente a sua maca, e saiu andando na frente de todos, de modo que todos ficaram simplesmente arrebatados e glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos nada igual.” – Marcos 2.8-12

Jesus não tem nenhuma dificuldade em afirmar claramente que possui autoridade e poder exclusivos de Jeová Deus em seu ministério na terra. Com isso, Jesus clara e abertamente testemunhou ao mundo sua identidade com o Pai ao realizar obras que apenas Jeová poderia realizar. Em outras palavras, Jesus claramente afirmou ser Deus.

 

2. O que o ensino de Jesus testemunha a seu respeito?

Em muitas ocasiões Jesus ensinou seus discípulos, seguidores e até mesmo numerosas multidões e não era incomum que as pessoas admirassem seu ensino. Algumas vezes no seu ministério vemos o elogio das pessoas ao que Cristo ensina dizendo que seu ensino não é como dos escribas ou fariseus, pois seu ensino tem autoridade.

Temos consciência de que o ensino de Jesus Cristo é fundamental para o cristão e que suas palavras tem autoridade sobre nós. Mas, encontramos nos ensinos de Cristo algo que demonstre sua divindade? Vamos lembrar de algumas histórias.

 

A. Jesus equipara suas palavras com as palavras de Jeová

Em uma dessas ocasiões em que o ensino de Cristo é elogiado com um ensino com autoridade, Jesus equipara suas palavras com as palavras de Jeová. No conhecido Sermão da Montanha Jesus faz isso algumas vezes:

Ouvistes que se disse aos dos tempos antigos: ‘Não deves assassinar; mas quem cometer um assassínio terá de prestar contas ao tribunal de justiça.’ No entanto, digo-vos que todo aquele que continuar furioso com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça; mas, quem se dirigir a seu irmão com uma palavra imprópria de desprezo terá de prestar contas ao Supremo Tribunal; ao passo que quem disser: ‘Tolo desprezível!’, estará sujeito à Geena ardente

Nessa ocasião, Jesus está citando as escrituras quando diz ouvistes o que se disse aos dos tempos antigos e corrige o modo como eles entenderam as escrituras por afirmar no entanto digo-vos. Infelizmente aqui a TNM deixou de fora um termo importantíssimo: “Eu”. O texto não está simplesmente colocando a opinião de Cristo, mas demonstrando a autoridade de Cristo: Ouvistes o que foi dito e Eu vos digo. Nessa expressão, repetida algumas vezes mais no mesmo capítulo, Jesus equipara suas Palavras com as de Jeová.

No passado Jeová havia dado ao povo a Lei e os seus mandamentos, mas Jesus é quem apresenta um novo mandamento: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo.13.34). A idéia de amar ao próximo já era bem conhecida nas Escrituras Hebraicas, mas Cristo apresenta um novo mandamento e complementa as palavras de Jeová, pois na Lei as pessoas deveriam amar seu próximo como a si mesmo, mas os seguidores de Cristo deveriam amá-los como Ele mesmo amado.  Devemos lembrar também que nesse assunto, a Lei dizia para amar o próximo, ao passo que Jesus manda amar até mesmo o inimigo. A qualidade do amor exigido por Cristo a seus seguidores, não apenas se equipara com as Palavras de Jeová, mas as completa.

Jeová sempre atestou que sua palavra é para sempre e que ela jamais seria terminada, observe:

Para sempre, ó Jeová, Tua palavra está posta nos céus.  – Salmos 119.89

Quanto às tuas prescrições, há muito sei que as estabeleceste para sempre. – Salmos 119.152

Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas, quanto à palavra de nosso Deus, ela durará para sempre – Isaías 40.8

Entretanto, Jesus revogou para suas palavras a mesma autoridade:

pois, deveras, eu vos digo que antes passariam o céu e a terra, do que passaria uma só letra menor ou uma só partícula duma letra da Lei sem que tudo se cumprisse – Mateus 5.18

Céu e terra passarão, mas as minhas palavras de modo algum passarão – Mateus 24.35

Ao fazer isso, claramente Jesus equipara suas palavras com a de Jeová, e sabemos por fato que a palavra de mais ninguém tem a mesma autoridade que a palavra de Jeová, apenas Cristo, com que Ele é um (Jo.10.30). Mas, também lemos nas escrituras que apenas Jeová é verdadeiro Juiz:

Deus é justo Juiz, E Deus lança verberações cada dia – Salmos 7.11

Pois Deus é o juiz. A este ele rebaixa e aquele exalta – Salmos 75.7

Entretanto, nos seus ensino Jesus também revogou ter tal autoridade:

Quem me desconsiderar e não receber as minhas declarações, tem quem o julgue. A palavra que eu tenho falado é que o julgará no último dia – João 12.48

Ao realizar todas essas ações, fica evidente que Jesus não apenas se equipara a Jeová, mas como é divino e seus ensinos testemunham exatamente isso.

 

B. Jesus afirmou ser o Cristo prometido

Os judeus do período de Cristo, e muitos ainda hoje, esperam o Messias (Cristo) prometido nas Escrituras Hebraicas. Nela, os judeus sempre encontraram informações sobre quem o Messias seria e quais suas caracteristicas, mas infelizmente eles não haviam percebido a profundidade de algumas das afirmações a respeito do Messias esperado. Por exemplo, em Isaías 9.6 o Messias é chamado de Deus forte e em Salmos encontramos a declaração de que o trono messiânico seria para sempre, e nesse verso ele é chamado de Deus (Sl.45.6).

É verdade que em nenhuma dessas ocasiões se diz que o Messias seria chamado pelo nome de Jeová, mas seria chamado de Elohim, que nas escrituras hebraicas era um termo comum a ser empregado a seres humanos, como reis, e até mesmo a seres angélicos. Contudo, o próprio Jeová afirma ser Elohim algumas vezes, especialmente em Deuteronômio 6.4: “Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus [Elohim], é um só Jeová“.

Entretanto, isso não  é tudo o que se poderia aprender com as Escrituras Hebraicas a respeito do Messias. Existe um texto muito interessante que afirma que o Messias seria o próprio Jeová:

“Eis que vêm dias”, é a pronunciação de Jeová, “e eu vou suscitar a Davi um renovo justo. E um rei há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo e o próprio Israel residirá em segurança. E este é o nome pelo qual será chamado: Jeová É Nossa Justiça” – Jeremias 23.5-6

Nesse texto, o Messias é primeiramente chamado de renovo justo, como é comum nas escrituras hebraicas (Sl. 132.11; Is.4.2; 11.1; Zc.6.12; ). Nesse texto também vemos que o Messias viria para executar o juízo e a justiça, bem como proteger a Israel. Entretanto, o seu nome será Jeová é nossa Justiça.

Dois detalhes aqui são importantes: (1) o uso do termo “nome” (hb. shem) e (2) o uso do Tetragrama (YHWH). O uso do termo “nome” é importante, pois ele não fala apenas da nomenclatura de um pessoa, mas o termo hebraico é freqüentemente associado ao caráter de uma pessoa, observe:

Por favor, não fixe meu senhor seu coração neste homem imprestável, Nabal, pois ele é tal qual seu nome. Nabal é o seu nome e a insensatez está com ele. Quanto a mim, tua escrava, não vi os moços do meu senhor, que enviaste. – 1 Samuel 25.25

Essa relação entre nome e caráter nas escrituras hebraicas é fato claramente observável. Considere o caso de Jacó que teve seu nome alterado para Israel por Jeová (Gn.35.10). O significado de Jacó é “enganador” ao passo que Israel “Deus prevalece” como expressão da fidelidade e manutenção graciosa do Seu Soberano Plano apresentado a Abraão. Fato similar acontece com Noemi, que por grande sofrimento pela perda do marido e dos seus filhos (Rt.1.12), descreve sua situação com o termo “amarga” (hb. Mara; Rt.1.13; cf. Ex.15.23), nome que adota para descrever sua situação: “Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso” (Rt.1.20).

Entretanto, é fundamental demonstrar que esse termo (hb. shem) é usado nas escrituras hebraicas para descrever a exclusividade de Jeová, e eventualmente é usado em substituição do Tetragrama:

Deves fazer para mim um altar de terra, e sobre ele tens de sacrificar as tuas ofertas queimadas e os teus sacrifícios de participação em comum, teu rebanho e tua manada. Em todo lugar onde farei que meu nome seja lembrado virei a ti e certamente te abençoarei. – Êxodo 20.24

Por isso vou entoar melodias ao teu nome para todo o sempre, A fim de pagar meus votos dia após dia – Salmos 61.8

Em ambos os versos, a idéia é que Jeová Deus deveria ser lembrado ou adorado, e as escrituras hebraicas apresentam esse tipo de situação várias vezes. Contudo, ainda mais interessante do que isso é que o texto de Jeremias fala que o nome, isso é, o caráter e a essência do Messias, será Jeová. Contudo, Jeová mesmo garante que o Tetragrama é o seu nome e ele não o dá a ninguém:

Jeová é pessoa varonil de guerra. Jeová é o seu nome – Êxodo 15.3

Deus disse então mais uma vez a Moisés: “Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘Jeová, o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó enviou-me a vós.’ Este é o meu nome por tempo indefinido e esta é a recordação de mim por geração após geração – Êxodo 3.15

Eu sou Jeová. Este é meu nome; e a minha própria glória não darei a outrem, nem o meu louvor a imagens entalhadas – Isaías 42.8

Ou seja, ao dizer que o Messias terá o nome de Jeová nossa Justiça, Jeová está dizendo que o Messias será como Jeová. Mais importante ainda, o Messias terá o mesmíssimo nome de Jeová, o nome que não divide com ninguém. É importante dizer que no texto de Jeremias encontramos o Tetragrama para descrever a pessoa do Messias. Assim, podemos dizer que as escrituras hebraicas claramente atestam que o Messias será divino.

Tendo assegurado isso, devemos lembrar que Jesus chamou para si a idéia de ser o Cristo,prometido pelas escrituras. João, o batizador, quando já encarcerado teve dúvidas quanto a verdade e pediu que seus discípulos fossem conferir se de fato Jesus era o Messias:

João, na cadeia, porém, tendo ouvido [falar] das obras do Cristo, enviou os seus próprios discípulos e mandou dizer-lhe: “És tu Aquele Que Vem, ou devemos esperar alguém diferente?” Jesus disse-lhes, em resposta: “Ide e relatai a João o que ouvis e vedes: 5 Os cegos estão vendo novamente e os coxos estão andando, os leprosos estão sendo purificados e os surdos estão ouvindo, e os mortos estão sendo levantados, e aos pobres estão sendo declaradas as boas novas; 6 e feliz é aquele que não achar em mim nenhuma causa para tropeço – Mateus 11.2-6

A resposta de Jesus foi clara: Ele citou Isaías 35.5 e 61.1 que falam sobre o Messias. Jesus não teve qualquer dificuldade em assumir que era de fato o Messias prometido. Quando Pedro declarou que Ele era o Cristo, Jesus demonstrou que tal verdade fora revelada pelo Pai que está nos céus (Mateus 16.16-17). Mas, uma importante evidência de sua clara consciência messiânica foi vista já perto do fim de sua vida:

O sumo sacerdote começou novamente a interrogá-lo e disse-lhe: “És tu o Cristo, o Filho do Bendito?” Jesus disse então: “Sou; e vós vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo com as nuvens do céu – Marcos 14.61-62

Nessa ocasião fica evidente que Jesus claramente assume o título de Cristo, e devemos dizer que diante do testemunho das escrituras hebraicas, Jesus Cristo é de fato divino, pois foi assim que as escrituras hebraicas se referiram a Ele.

 

C. Jesus aceita dos homens aquilo que apenas Jeová deveria aceitar

Outra característica interessante de Cristo é que além de suas obras e seus ensinos atestarem sua divindade, Ele também aceita duas ações dos homens que devem ser apenas oferecidas a Jeová: oração e adoração. Diferente do que muitas pessoas pensam Jesus não apenas ensinou os discípulos a orarem, Ele os incentivou a orarem em seu nome:

Também, o que for que pedirdes em meu nome, eu farei isso, a fim de que o Pai seja glorificado em conexão com o Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei – João 14.13-14

Vós não me escolhestes, mas eu escolhi a vós, e eu vos designei para prosseguirdes e persistirdes em dar fruto, e que o vosso fruto permaneça; a fim de que, não importa o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dê – João 15.16

E naquele dia não me fareis absolutamente nenhuma pergunta. Eu vos digo em toda a verdade: Se pedirdes ao Pai qualquer coisa, ele vo-la dará em meu nome. Até o momento não pedistes nem uma única coisa em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja plena – João 16.23-24

É bem verdade que no ensino de Cristo, fica evidente que a oração deve ser feita ao Pai, mas é na sua autoridade que tal oração é feita. Entretanto, seus seguidores não apenas oravam em nome de Cristo (1Co.5.4) como também oravam a Cristo:

E atiravam pedras em Estêvão, enquanto ele fazia apelo e dizia: “Senhor Jesus, recebe meu espírito – Atos 7.59

Mas, mais importante do que ser digno de receber as orações de seus seguidores, Jesus Cristo também recebeu adoração. As escrituras hebraicas deixam claro que apenas Jeová pode ser adorado (Ex.20.1-4, Dt.5.6-7). As escrituras gregas cristãs do mesmo modo apóiam a exclusividade de Jeová na adoração com clareza (At.17.29; 19.26; Rm.1.23). As escrituras também são claras em atestar que nenhum ser humano é digno de receber adoração (At.14.15) e que até mesmo os seres angélicos não tem tal dignidade (Rev.22.8,9). Infelizmente, a Tradução do Novo Mundo esconde o fato de que Jesus recebeu adoração dos seus leitores, por dizer que eles o homenageavam:

E eis que veio um leproso e começou a prestar-lhe homenagem, dizendo: “Senhor, se apenas quiseres, podes tornar-me limpo” – Mateus 8.2

Em primeiro lugar, o próprio texto não parece um ambiente de prestação de homenagem, afinal o homem que se achega a Cristo aqui está aflito e perdido. Ele precisa de ajuda, ele está desesperado. Até mesmo sua afirmação a Cristo parece sugerir mais do que uma homenagem: Ele o chama de Senhor e reconhece seu poder e autoridade para realizar o que ele lhe pede. Em nenhum momento esse leproso desconfiou de quem Jesus era e do que Ele era capaz de fazer, mas submisso à sua autoridade, pede que se for da vontade Dele, que Cristo o faça limpo.

Em segundo lugar, o termo empregado por Mateus aqui foi mal compreendida pela Tradução do Novo Mundo (TNM). O termo usado aqui é “proskunéo“, o mesmo termo que a TNM traduz em outros lugares, especialmente em referência a Jeová como adoração:

“Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração” Jesus disse-lhe então: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado” – Mateus 4.9-10

Nesses versos o mesmo termo é usado duas vezes, e vemos que o sentido aqui é claramente adorar, e sempre que o termo é usado em referência a Jeová, esse é o sentido usado pela TNM (Mt 4:10; Jo 4:20-23s; 12:20; At 24:11; 1Cor 14:25; Hb 11:21; Rv 4:10; 14:7; 19:4). O mesmo acontece quando é usado em referência a agentes de Satanás (Lc 4:7 ; Rv 9:20; 13:4; 14:9, 11) e a seres angélicos (Rv.22.8). Até mesmo quando Pedro foi surpreendido pela postura de Cornélio, o termo usado também foi “proskunéo” (At.10.25). Ou seja, a TNM aceita que o termo tenha de fato o sentido de adoração, mas apenas nas ocasiões relacionadas a Cristo é que ela faz diferença (Mt 2:2, 8, 11; 8:2; 9:18; 14:33; 20:20; 15:25; 28:9, 17; Mc 5:6; 15:19; Lc 24:52). Com isso, estamos dizendo que as escrituras sagradas afirmam com clareza que Jesus recebeu adoração, e que isso certamente implica em dizer que Jesus é divino.

Entretanto, a mais clara das afirmações sobre quem Cristo é foi realizada em um ato de adoração, quando Tomé o reconheceu após a ressurreição: “Em resposta, Tomé disse-lhe: “Meu Senhor e meu Deus!” (João 20.28). É interessante que, diferente dos seres angélicos e seres humanos, Jesus nunca repreendeu as pessoas que se prostravam diante dele em adoração, do mesmo modo que nunca repreendeu a Tomé por chamá-lo de Senhor e Deus.

Com isso, estamos dizendo que com sua postura nesses casos, Jesus claramente falou ser Ele verdadeiramente divino.

 

3. Jesus alguma vez disse claramente ser Deus?

Como vimos na citação inicial, a STV afirma que Jesus nunca afirmou ser Deus, e se considerarmos suas obras e ensinos, devemos dizer que tal publicação está redondamente equivocada. Contudo, encontramos em algum lugar nas escrituras uma ocasião na qual Jesus afirma ser Deus? A resposta a essa pergunta é: Certamente!

Algumas afirmações são simples, mas claras. Por exemplo, Jesus afirmou ser o bom pastor (Jo.10.11), ofício que sempre foi de Jeová (Sl.23.1); Ele também afirmou ser o juiz de todos os povos (Mt.25.31s; Jo.5.27), mas esse cargo também é exclusivo de Jeová (Jl.3.12); Jesus também assumiu o título de noivo (Mt.25.1), título que pertence a Jeová (Is.62.5; Os.2.16). Jesus se auto-denominou luz do mundo (Jo.8.12), ao passo que Jeová é assim apresentado (Sl.27.1). Mas, diante dessas declarações que isso não é evidência de que Jesus tenha dito ser Ele mesmo Deus. Contudo, convidamos os leitores a prosseguir.

Nas escrituras, Jeová sempre foi reconhecido com o Primeiro e o Último:

Quem tem estado ativo e tem feito [isso], convocando as gerações desde o começo? “Eu, Jeová, o Primeiro; e sou o mesmo com os últimos – Isaías 41.4

Assim disse Jeová, o Rei de Israel e seu Resgatador, Jeová dos exércitos: ‘Sou o primeiro e sou o último, e além de mim não há Deus – Isaías 44.6

Escuta-me, ó Jacó, e tu, Israel, meu chamado. Eu sou o Mesmo. Sou o primeiro. Além disso, sou o último – Isaías 48.12

Temos por certo que dizer que Jeová é o Primeiro e o Último, significa assumir que não existe ninguém antes Dele, nem depois Dele. Essa nomenclatura exclusiva de Jeová é assumida por Cristo no livro das Revelações:

E ao anjo da congregação em Esmirna escreve: Estas coisas diz aquele, ‘o Primeiro e o Último’, que ficou morto e passou a viver [novamente] – Revelações 2.8

‘Eis que venho depressa, e a recompensa que dou está comigo, para dar a cada um conforme a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim – Revelações 22.12-13

Ao assumir esse título característico de Jeová, temos por certo que Jesus está dizendo ser Ele mesmo Deus. Nos dois textos de Revelações, vemos claramente que é Jesus o autor dessas frases, pois é o mesmo que morreu e voltou a viver, Aquele que vem sem demora. Não existe qualquer chance de esses textos falarem a respeito de Jeová, afinal, Ele mesmo jamais morreu e não prometeu voltar. É interessante que em Revelações, é recorrente a idéia de que Cristo voltará, aliás, o livro inicia e termina com essa expectativa (Rev.1.7; 22.20).

Bom, talvez até aqui alguém diga: “Tudo bem. Jesus disse ter títulos de Jeová, mas nunca afirmou categoricamente ser Deus“. Na verdade, temos que considerar ainda dois textos interessantes:

E quanto às quatro criaturas viventes, cada uma delas, respectivamente, tem seis asas; ao redor e por baixo estão cheias de olhos. E elas não têm descanso, dia e noite, ao dizerem: “Santo, santo, santo é Jeová Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que vem. – Revelações 4.8

Ao olhar para esse texto vemos a tríplice adoração como em Isaías (Santo, santo, santo). Também vemos o nome de Jeová Deus, a quem as criaturas viventes dirigem sua adoração. Na seqüência vemos a designação clara da superioridade de Jeová, como Todo-Poderoso, título que ninguém jamais recebeu. Também vemos a descrição da eternidade de Jeová, que era, que é e que vem. Em Revelações aquele que vem, sempre é Jesus Cristo, afinal Jeová nunca prometeu voltar. No livro de Revelações apenas Jesus poderia receber essa descrição, mas aqui Jeová a recebe.

Das duas uma: Ou Jeová é equiparado a Cristo ou Cristo equiparado a Jeová. Seja como for, esse texto CLARAMENTE atribui as mais importantes descrições divinas de Jeová (Digno de adoração, cujo nome é Jeová, Todo-Poderoso) a Cristo. Diante disso vemos claramente o fato de que Jesus não apenas aceita tal posição como as criaturas viventes na eternidade o reconhecem com facilidade.

Entretanto, alguém poderá dizer: “Ei, mas essa expressão não foi dita por Jesus!“. Isso é verdade. É que infelizmente os que procuram esconder tudo o que já vimos até aqui, precisam ver uma ocasião em que Jesus afirmou ser Deus. Bom, para esses devo lembrá-los de apenas mais um texto:

“Se tu és filho de Deus, lança-te para baixo; pois está escrito: ‘Dará aos seus anjos encargo concernente a ti, e eles te carregarão nas mãos, para que nunca batas com o pé contra uma pedra.’” Jesus disse-lhe: “Novamente está escrito: ‘Não deves pôr Jeová, teu Deus, à prova.’ – Mateus 4.6-7

Ao tentar Jesus Cristo, Satanás ofereceu a possibilidade de Jesus Cristo se jogar de cima do pináculo do templo com a promessa de que Seus anjos o segurem. Em resposta ao pedido de Satanás, Jesus disse: “Não deves por Jeová, teu Deus à prova“. Nessa simples frase, Jesus disse: Pare de me tentar, eu sou Jeová teu Deus. Simples e claro.

Diante disso, jamais poderíamos dizer, como disse o autor no início desse post, que Jesus jamais afirmou ser Deus, nem que a Bïblia não o diz, afinal vimos que Jesus afirmou ser Deus em suas obras, ensinos, títulos e claramente na cena da tentação. Por isso, devemos assumir que diante do TODO das escrituras: Jesus é chamado claramente de Deus.

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Permite a Bíblia chamar Jesus de homem-deus?

As religiões que ensinam a Trindade crêem que Jesus, quando na terra, possuía as duas naturezas em si mesmo. Mas, a Bíblia não apóia tal idéia. O apóstolo Paulo disse a respeito de Jesus: “Uma vez que os filhos têm em comum carne e sangue, por isso também ele participou da mesma condição, . . . Convinha, por isso, que em tudo se tornasse semelhante aos irmãos.” (Hebreus 2:14, 17, A Bíblia de Jerusalém) Como poderia ele ‘em tudo tornar-se semelhante aos irmãos’ se fosse Deus/homem? – A Sentinela, 15 de Junho de 1982, pp.6.

Segundo lemos acima, a pergunta que origina esse post deve ser respondida negativamente. Mas, será que é exatamente isso que as escrituras dizem? Vamos ver alguns textos:

  • Is.7.14 (cf. Mt.1.22-23): Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel.Fala de um menino que nasceria e seria chamado Deus entre nós. Se o descendente da mulher é Deus entre nós, deve ser Deus Homem.
  • Is.9.6: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da PazFala de um menino que nasceria e seria chamado Deus Forte e Pai da Eternidade. Ora, se é descendente da mulher (Gn.3.15) e Pai da Eternidade, só pode ser considerado Deus-Homem.
  • Lc.2.10-11: O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: 11é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o SenhorO texto nos diz que o menino que nasceu é o Salvador, Messias e Senhor. No AT somente Deus é Salvador (Is.43.11, 15,21), mas as escrituras chama a Cristo de único salvador (At.4.12). O termo Senhor é usado para descrever a Deus e a Jesus Cristo, o que reforça a idéia de que Jesus é Deus. Segue-se que esse menino é Deus homem entre nós.
  • Jo.1.1-3, 14: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio com Deus. 3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez (…)E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai  – Nesse texto lemos que Jesus Cristo é chamado de Verbo (Logos) e que Ele estava com o Pai desde a eternidade passada (v.2), que é Criador de todas as coisas (v.3; cf. Cl.1.16) e portanto não é criado, e que é plenamente Deus (v.1). Entretanto, o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade.
  • At.20.28: Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.  – Nesse verso vemos que Deus comprou a igreja com seu sangue. Ora, sabemos que o sacrifício foi efetuado por Cristo, o Verbo encarnado, e por isso é que houve verdadeiro derramamento de sangue. Portanto, vemos nesse texto a natureza Divina e Humana de Cristo apresentada em um mesmo verso.
  • Rm.9.5: deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!  – Nesse texto lemos que o Messias é segundo a carne, descendente dos judeus, mas é Deus sobre todos.
  • Fp.2.5-11: Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; 7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. 9 Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, 10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai  – Esse texto usa um claro contraste entre os termos “forma de Deus”, que Paulo entende como a descrição da igualdade com Deus,  e “forma de servo”, que Paulo explica como sendo a semelhança de homens, reconhecido em figura humana. Portanto, está claro que “forma de servo” implica em completa humanidade, do mesmo modo que “forma de Deus” implica em completa divindade.
  • Cl.2.9: porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da DivindadeJesus humano é portador da divindade por completo. Isso certamente é um milagre. Por isso, Jesus Cristo é Deus Homem.
  • 1Jo.1.1:O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida – Jesus é chamado de o que era desde o princípios, em alusão ao texto de Jo.1.1, o que fala sobre sua Eternidade e Pré-existência. O texto também fala que Jesus é aquele que foi ouvido, visto, contemplado e apalpado (Lc.24.39), o que deixa bem claro sua humanidade.

Segundo vemos nos versos listados acima, a declaração da revista A Sentinela está equivocada, afinal em Cristo reside corporalmente a plenitude da divindade. Se tomássemos apenas esse verso das escrituras, tal verdade já deveria ser tomada por fato. Portanto, os que prezam pelas escrituras deveriam considerar Jesus como tendo duas naturezas, divina e humana, pois assim as escrituras ensinam.

Era Jesus deus-homem?

As religiões que ensinam a Trindade crêem que Jesus, quando na terra, possuía as duas naturezas em si mesmo. Mas, a Bíblia não apóia tal idéia. O apóstolo Paulo disse a respeito de Jesus: “Uma vez que os filhos têm em comum carne e sangue, por isso também ele participou da mesma condição, . . . Convinha, por isso, que em tudo se tornasse semelhante aos irmãos.” (Hebreus 2:14, 17, A Bíblia de Jerusalém) Como poderia ele ‘em tudo tornar-se semelhante aos irmãos’ se fosse Deus/homem? Paulo escreveu aos filipenses sobre “Cristo Jesus, o qual, embora existisse em forma de Deus, . . . se esvaziou e assumiu a forma de escravo, vindo a ser na semelhança dos homens”. (Filipenses 2:5-7) Portanto, este Filho celestial de Deus desnudou-se completamente da “forma de Deus” para assumir a natureza humana, para tornar-se homem. – A Sentinela, 15 de Junho de 1982, pp.6.

 

A pergunta sobre quem é Jesus Cristo é certamente a mais importante pergunta de todas, e sobre ela o livro O que a Bíblia Realmente ensina nos informa:

É importante saber a verdade sobre Jesus. Por quê? Porque a Bíblia diz: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo” (João 17:3). De fato, saber a verdade a respeito de Jeová Deus e de Jesus Cristo pode resultar em vida eterna (…) Além disso, Jesus deu o melhor exemplo de como viver e tratar os outros. (João 13:34, 35) No primeiro capítulo deste livro consideramos a verdade sobre Deus. Agora, vejamos o que a Bíblia realmente ensina a respeito de Jesus Cristo.

Não podemos duvidar dessa informação, afinal conhecer a verdade sobre Cristo pode resultar em vida eterna. Entretanto, é correto dizer que Jesus Cristo era apenas um homem? A resposta a essa pergunta aparece algumas vezes nas publicações da Sociedade Torre da Vigia, e em geral a resposta carrega o seguinte teor: “Jesus não era Deus-homem, Deus em carne, mas era Filho de Deus, inferior a Deus“. Na mesma Sentinela que citamos acima deixa essa informação ainda mais clara quando diz que as Escrituras não suportam a idéia de que Cristo fosse um homem-deus.

Para verificar se isso é verdadeiro de acordo com o testemunho das escrituras, queremos que o leitor lembre-se de um texto interessante: “Mas o anjo disse-lhes: “Não temais, pois, eis que vos declaro boas novas duma grande alegria que todo o povo terá, 11 porque hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é Cristo, [o] Senhor” (Lucas 2.10-11). Diante desta afirmação, considerando Jesus Cristo como aquele que  acabara de nascer, quem nós podemos entender ser Jesus Cristo? Que é este bebê?

 

1. Ele é o Cristo

Lc 2.11; Sl 105.15; 1Sm 26.9; Is 45.1; Jo 1.41; Jo 1.45; Gn 3.15; Dt 18.15; 2 Sm 7.12-17; Is.9.6; Lc.1.68-70; Mt 2.2; Mt 2.4

Eu chamo a sua atenção para o fato de que o texto diz que “Ele é o Cristo”. Normalmente olhamos para um texto como este: “hoje vos nasceu na cidade de Davi” e entendemos isso como parte de uma cantata ou vemos isto, como já estamos acostumados, como mais um versículo que fala sobre Jesus Cristo. Mas pare por um momento e se coloque no lugar daqueles pastores, durante a noite e um anjo aparece e fala: “existe um bebê que acabou de nascer na cidade de Davi. Ele é o Cristo”.

Para os judeus que estavam atentos, existia uma promessa feita por todo o Velho Testamento que falava sobre o Cristo, aquele que viria. Na verdade a palavra em si, Cristo, não é uma palavra muito diferente. Ela vem do grego “Christós” e é basicamente uma transliteração que por sua vez é a tradução da palavra “mashiach” que nós conhecemos como Messias. Em si, esta palavra não tinha lá uma força muito especial e de modo genérico significava o ungido, ou alguém separado por Deus para realizar uma tarefa especial.

No Velho Testamento essa palavra tinha sido usada para descrever os patriarcas. Salmos quando fala sobre eles, diz “não toqueis nos meus ungidos”, uma referência a Abraão, a Isaque e a Jacó. Também foi usada em referência aos reis de Israel; inclusive na ocasião em que Davi estava naquela gruta escondido, fugindo de Saul e ele tem a oportunidade de matar Saul, mas ele disse que não colocaria as mãos no ungido do Senhor. A mesma palavra sendo usada ali para um rei que nós sabemos que nem era “grande coisa”. Em outros lugares essa palavra foi usada para descrever Ciro. Em Isaías 45.1, diz: “Assim diz o Senhor ao seu ungido: a Ciro, cuja mão direita eu seguro com firmeza para subjugar as nações diante dele e arrancar a armadura de seus reis, para abrir portas diante dele, de modo que as portas não estejam trancadas.” A mesma palavra é usada aqui no sentido de alguém separado por Deus para realizar uma tarefa especial, e neste caso nem se tratava de alguém do povo de Israel. A palavra em si não era algo especial, ela tinha sido usada para várias coisas. Mas, agora o que significaria um anjo falando para pastores que Cristo havia nascido?

André quando encontrou Jesus Cristo adulto, vai até seu irmão e diz: Achamos o Messias, isto é, o Cristo. Quando ele encontrou Jesus pela primeira vez ele viu em Jesus Cristo o título, ou digno de ter o título de Messias ou o ungido pelo Senhor. Mais para frente vemos Felipe encontrando Natanael e dizendo: “Achamos aquele sobre quem Moisés escreveu na lei a respeito de quem os profetas também escreveram, Jesus de Nazaré, filho de José.

Existia também na lei a esperança e a expectativa de que um dia Deus levantaria um ungido de modo especial, alguém separado de maneira diferente para ser o seu representante.  Vemos isso em Gn 3.15, falando daquele que seria o descendente da mulher que viria e pisaria na cabeça da serpente. Em Gn.12 falando que a sua benção seria benção para todas as nações. Em Dt 18.15 falando sobre um profeta que seria comparado a Moisés e que falaria as palavras do Senhor. Em 2Sm 7.12-17 vemos um rei prometido que teria o reino de Davi, o qual seria eterno. Ele teria um trono estabelecido por toda eternidade. Vimos também que Ele teria um relacionamento com Deus como de pai e filho. Em Dn 9  vemos um messias também chamado de príncipe, como alguém chamado especialmente para cumprir uma missão. Vemos Isaias 53 falando que Ele viria para morrer e sofrer por causa das transgressões dos homens. Vemos também que Ele ressuscitaria entre os mortos e veria o fruto do seu trabalho. Fala de um menino que seria chamado Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. É interessante observar que não são poucas as vezes que descrições parecidas com esta acontecem nos Evangelhos: Jesus Cristo como aquele que Moisés falou na lei, a quem os profetas descreveram.

Em Lc 1.68-70 vemos mais uma destas declarações: “Louvado seja o Senhor, o Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo.Ele promoveu poderosa salvação para nós, na linhagem do seu servo Davi,(como falara pelos seus santos profetas, na antiguidade)”. Existe um Messias esperado. Os Judeus aguardavam ansiosamente por aquele que seria separado por Deus, escolhido por Deus, para ser o seu representante. E na expectativa dos Judeus, aquele que viria para estabelecer eternamente o trono de Davi, o Messias. Essa figura de um messias que é rei, que vem para cumprir as expectativas, também é observada na visão daqueles que talvez não tivessem em suas mãos as Escrituras como os magos que vieram do oriente. Estes vêem uma revelação da parte de Deus, têm alguma informação sobre Ele que provavelmente nós não temos como saber de onde eles tiveram. Mas eles chegam até Herodes e dizem: “Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus? Vimos sua estrela no oriente e viemos adorá-Lo”. Ouvindo isso Herodes fica cheio de temores e chama as pessoas que são entendidas e conhecidas: o chefe dos sacerdotes do povo e os mestres da lei. Pergunta-lhes onde deveria nascer o Cristo, o Esperado, o Messias.

Jesus Cristo é chamado por aqueles anjos de “O Cristo”, aquele ungido por Deus para uma missão especial. Em outras palavras, Ele é o Messias prometido em todo Antigo Testamento. Ele é quem os piedosos de Jerusalém aguardavam ansiosamente. Esse era aquele ungido do Senhor, preparado para uma missão especial, como Deus tinha apresentado em toda a Sua Lei por meio dos seus profetas. Esse bebê é o Cristo. Ele é o ungido de Deus. Ele é aquele separado por Deus para uma missão e aquele anjo está diante daqueles pastores e fala “na cidade de Davi”, que significa como diziam as Escrituras: na cidade de Davi o Messias nasceu. Aquele que é a sua esperança e salvação nasceu. Aquele que é o separado do Senhor para estabelecer o Seu Reino nasceu.

 

2. Ele é Senhor

Lc 2.11; Lc 1.28; Lc 1.30; Lc 1.32; Lc 1.68; Lc 1.76; Mt 1.23; Jo 20.28; Rm 9.5; Lc 1.80; Lc 2.52; Jo 1.1; 2Pe 1.1

Mas o texto também diz que Ele é Senhor. Observe em Lc 2.11: “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor.” Pare por um momento e reflita nesta informação. Quais são as implicações de um anjo dizer que nasceu aquele que é Senhor? Como é que nós podemos entender considerando aquele recém-nascido, chamado por um ser angélico de Senhor?

Na verdade a palavra Senhor é usada no Novo Testamento de diversas formas, inclusive para descrever aquele que é dono de escravos. Também é usado para descrever aquele que é mestre – Ele é um senhor e tem os seus alunos – e é usado para descrever pessoas que possuíam terras, tinham posses; eles eram senhores. Mas agora considere um anjo chamando um recém-nascido de Senhor. Vamos supor que o sentido mais simples desta palavra tenha sido empregado aqui. Como é que poderíamos entender um recém-nascido como o Senhor, no sentido de: aquele que tem posses, ou que é mestre, ou até que é dono de escravos ou que tenha seus súditos. Um recém-nascido?

Mais surpreendente ainda é quando olhamos para o Antigo Testamento e vemos que essa palavra Senhor “kyrios” também é usada para traduzir o Nome de Deus – “YHWH” no Antigo Testamento – e que também é usada para descrever o nome de Deus em diversas ocasiões. Como é que podemos entender um anjo falando que aquele recém-nascido é Senhor?

Observe que Lucas quando usa esta palavra, sempre a usa em referência a Deus. Em Lc 1.28 diz: “O anjo, aproximando-se dela, disse: ‘Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!’”No recado que o anjo dá para Maria vemos a palavra Senhor aqui sendo empregada para descrever Deus. Um pouco à frente este anjo esclarece (Lc 1.30): “Mas o anjo lhe disse: ‘Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus!”. Eventualmente estas duas palavras andam juntas como em Lc 1.32: “Ele será grande, Ele será chamado Filho do Altíssimo, Deus o Senhor lhe dará o trono de seu pai Davi.” Aqui as palavras Senhor e Deus são usadas como sinônimo. Várias vezes nos capítulos 1 e 2, a palavra Senhor é usada para descrever Deus. Em Lc 1.76 há um uso interessante que aparece pela primeira vez em referência a Jesus, quando Zacarias fala sobre João Batista: “E você menino será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor

É bem verdade que esse uso das palavras Deus e Senhor em referência a Deus nos faz refletir sobre quem é essa criança. Os anjos estão comunicando que Deus havia nascido bem próximo daqueles pastores. Deve ser por isso que Mateus quando escreve seu Evangelho usa da profecia dizendo (Mt 1.23): “A virgem engravidará e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel” que significa “Deus conosco”. Esse recém-nascido é Deus entre nós; é Deus conosco. É interessante que a construção grega deste versículo significa “o Deus conosco”. Normalmente o grego não precisa usar artigos. No grego podem-se escrever sentenças inteiras sem usar um único artigo (cf. 1Pe.1.1-3). Aliás, o texto que estamos abordando de Lc 2.9-11 não tem nenhum artigo. Mas, quando o artigo é usado alguma coisa especial está se demonstrando: Esse é “o Deus” entre nós. Esse é Deus feito carne entre nós.

É interessante que este versículo diz que Ele seria chamado Emanuel, e quando você vira algumas páginas no Evangelho de João e vai lá pelo capítulo 20, versículo 28, o cético Tomé se coloca de joelhos diante Dele e diz: Senhor meu e Deus meu… E a construção ali também leva um artigo “o Senhor meu”, ou “o meu Senhor” e “o Deus meu”. Quando entramos com esta informação de Deus encarnado entre nós, como aquele que seria o mediador entre Deus e os homens, até conseguimos entender. Mas pense naquele recém-nascido – Deus entre nós – Aquele que ainda não sabia falar.  Deus entre nós – Aquele que não andava. Deus entre nós – Aquele que precisava ser carregado, que não tinha aprendido a ler, escrever. A idéia que começamos a perceber é que desde cedo no seu Evangelho, Lucas começa a deixar claro quem é Jesus.

E agora começamos a entender um pouco melhor o que Paulo quis dizer em Fp 2 quando diz que Jesus Cristo sendo igual a Deus não julgou com usurpação, mas Ele se esvaziou e foi encontrado em forma humana, como servo, obediente até a morte e morte de cruz. Essa auto-humilhação de Jesus Cristo significou que Ele estaria sendo carregado como um bebê, sem conseguir falar, que precisa ser trocado de tempo em tempo, que precisava ser ninado, que precisava ser colocado para dormir. Deus entre nós. Parece muito mais fácil entendermos essas verdades quando olhamos para o Messias, aquele com 33 anos de idade andando entre os judeus, proclamando o Reino de Deus, curando. Ou como Paulo diz em Rm 9.5: “Deles são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre!” Mas a figura central desse feriado familiar é um bebê que é Deus feito carne.

As Escrituras falam sobre isto em diversos lugares. João 1.1 fala sobre o verbo de Deus que estava com Deus e que era Deus. Em 2 Pe vemos, no início da sua carta, Pedro dizendo: “Servo e apóstolo de Jesus Cristo àqueles que mediante justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo receberam conosco uma fé igualmente valiosa.

 

3. Ele é o Salvador

Lc 2.11; Lc 1.47; Sl 65.5; Is 43.11; At 4.12; Lc 19.10; 1Jo 4.14; Jo 14.6

Quem é esse Bebê? – Salvador e nosso Deus. Ele é o verbo que se fez carne e habitou entre nós. Ele é o dono da vida. Ele é o doador da vida. Ele é aquele que é o Criador de todas as coisas. Ele é aquele que por meio Dele e para Ele, são todas as coisas. Ele é o mediador entre Deus e os homens. Ele é descendente de Davi. Ser humano completo e ideal. Modelo para mim e para você. Ele é Deus conosco. Quem é Jesus Cristo? – Deus feito carne. E agora nós podemos entender melhor essa idéia de um Ungido por Deus que tem uma missão específica e que como Deus pode cumpri-la porque as Escrituras também dizem que Ele é Salvador.

Naquele Bebê repousa toda expectativa dos judeus – o Messias. Naquele Bebê habita corporalmente a plenitude da Divindade – Deus homem. Aquele que é Salvador e em quem repousa a minha e a sua esperança; em quem nós depositamos a nossa fé como Salvador.

O texto nos diz (Lc 2.11): “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é o Cristo, o Senhor”. Esse tema também é usado nas Escrituras para descrever a Deus. Maria, por exemplo, um pouco antes, em Lc 1.46-47 canta: “… minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Diversas vezes nas Escrituras Deus é chamado de Salvador ou aquele que é capaz de salvar e redimir o seu povo. Aquele que é capaz de comprar de volta aquilo que é seu como um resgatador do seu povo.

Sl 65.5, diz: “Com tremendos feitos nos respondem a tua justiça, ó Deus e Salvador nosso; esperança de todos os confins da terra…”. Deus é chamado de Salvador em todas as Escrituras. E Ele promete um Salvador por todas as Escrituras. Ele também diz em Is 43.11: “Eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador”. Aqui Deus chama para si mesmo essa missão de Salvador como o único capaz de redimir o seu povo. Is 45.15 diz “Verdadeiramente Tu és misterioso, ó Deus de Israel, ó Salvador”, e no versículo 21: “Declarai e apresentai as vossas razões que tomem conselhos uns com os outros. Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? Por ventura não fiz eu, o Senhor? Não há outro senão Eu, Deus justo e Salvador. Não há outro além de mim”. Somente Deus é Salvador.

E agora aqueles pastores estão diante de um ser angélico que diz que o Messias nasceu; aquele que é Deus feito carne é chamado de Salvador, em quem eles poderiam colocar a sua esperança. Essa é a mensagem central do Cristianismo e Pedro testemunha muito bem essa verdade em At 4.12 quando ele precisa defender a sua fé e diz: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu, não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”. Jesus Cristo, aquele que foi rejeitado, é o Salvador. Ele é o único que pode resolver o dilema da humanidade. Ele é o único que pode aproximar o homem caído em pecado de um Deus santo e puro. É muito interessante essa relação entre quem Deus é, como único Salvador, e Jesus Cristo como o único capaz de salvar. Essa identidade entre Eles reforça que aquele bebê é o Messias, o ungido, Deus encarnado cuja missão é salvar, vir como salvador como já diziam as profecias a respeito Dele.

Isaías 53 tinha deixado isso claro, e Jesus Cristo tinha plena consciência de sua missão. Não é à toa que em determinado momento do seu ministério Ele diz (Lc 19.10): “O Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido”. Essa é Sua missão. Ele foi ungido e separado para isso: para ser salvador. E só pode haver um salvador que seja suficiente se ele for um Deus capaz de morrer por todos os seres humanos, para redimi-los de todos os seus pecados, fazendo do seu sacrifício suficiente, para que qualquer que venha a crer, tenha a vida eterna. Ungido, Deus, Salvador, Jesus Cristo a figura central desse feriado familiar é a nossa esperança, é o centro da nossa mensagem.

Também não é à toa que João em sua carta diz (1Jo 4.14): “E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo”. Ele é o único capaz de salvar. Ele é o único que pode ser uma oferta suficiente pelo pecado de toda humanidade. Ele é o único que tem poder através do seu sacrifício, de limpar os pecados de toda a humanidade. Separado por Deus para uma missão, ungido, messias, esperado. Deus encarnado entre nós – Salvador em quem nós colocamos toda nossa esperança.

Ele é o único como Ele mesmo diz (Jo 14.6): “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. Quem é esse bebê? O único caminho até Deus, mediador entre Deus e os homens. Salvador, em quem nós temos a redenção dos nossos pecados e em quem nós depositamos a nossa fé. Ele é o nosso resgatador, Ele é o pagamento adequado pelas nossas falhas e as nossas faltas. Ele é aquele que veio a esta terra, se fez homem, se encarnou para assumir as deficiências minhas e suas para que pagasse o preço pelo nosso pecado e pudéssemos chegar até Deus.

Quem é esse bebê? Ungido, Cristo, Deus- Homem, Salvador, em quem nós depositamos a nossa fé, em quem nós aguardamos o Seu retorno, o centro da nossa mensagem, o foco da nossa fé, a nossa esperança, Deus Salvador.

Diante da verdade apresentada nesse texto, é antibíblico dizer que Jesus não é Deus feito em carne, afinal, até mesmo seres angélicos já o declararam como tal. Essa é a verdade que a Bíblia realmente ensina